Miranorte ganha grande banco vermelho para estimular a reflexão e a conscientização sobre o fim da violência contra a mulher

Rondinelli Ribeiro/Cecom/TJTO A foto mostra um grande banco vermelho, com a frase "Nós lutamos pelo feminicídio zero. Ligue 180 e denuncie." escrita nele.  Sentados no banco estão seis pessoas: duas mulheres, dois homens em roupas civis, e dois policiais militares. As mulheres usam roupas formais e os policiais militares usam uniformes.  Há também um pequeno cartaz ao lado do banco com mais informações sobre o feminicídio e números de telefone para denúncias. O cenário é um espaço público com um pouco de grama e árvores ao fundo.

Miranorte, cidade localizada a 110 km de Palmas, ganhou uma intervenção urbana em grande escala para chamar a atenção e estimular a reflexão sobre o fim da violência contra a mulher. Nesta segunda-feira (4/11), o enorme banco vermelho foi instalado na Praça Santo Antônio, para alertar os(as) cidadãos(ã) miranortenses sobre o feminicídio.

Miranorte é o quinto município do Estado a receber o grande banco vermelho do Poder Judiciário tocantinense, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), em parceria com a Prefeitura Municipal.

Segundo a presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe, a causa é gigante. “Lutamos para que nenhuma mulher perca a sua vida em razão de alguma violência doméstica. Nós deixamos aqui esse símbolo, esse banco gigante, porque a nossa causa também é gigante”, disse.

Conforme a desembargadora, a partir de agora, os(as) cidadãos(ãs) de Miranorte, ao passarem pela praça, poderão não somente se sentar no banco, mas também refletir e agir. “Nós precisamos apoiar essas mulheres, porque nós não queremos que nenhuma mulher aqui de Miranorte sofra esse tipo de violência.”

 

Memorial

O Banco Vermelho é um símbolo de resistência e representa uma forma de honrar as vítimas da violência de gênero. A coordenadora da Cevid, juíza Cirlene Maria de Assis, reforçou que o banco de Miranorte é o quinto memorial em homenagem àquelas mulheres que perderam a vida pelo fato de serem mulheres. “Nós estamos aqui hoje para combater, para conscientizar a sociedade e chamar a todos para esse elo de responsabilidade e de compromisso”, disse.

A juíza lembrou que o Estado vem registrando aumento de casos de feminicídio a cada ano. “De 2022 para 2023, nós tivemos um aumento de 28% de casos de feminicídio. De 2023 para 2024, até agora, nós tivemos um aumento de 40% de casos. Então, até agora, no Estado do Tocantins, já foram 39 casos de feminicídio”, citou.

“Quando nós falamos que lutamos pelo feminicídio zero, não é um ideal inalcançável, mas é um compromisso que nós queremos estabelecer com a sociedade. Todos nós somos responsáveis pela conscientização de todos sobre essa violência brutal”, declarou.

O juiz da Comarca de Miranorte, Ricardo Gagliardi, enfatizou que a igualdade entre homem e mulher está no fato de serem humanos. “Nós somos iguais exatamente por sermos seres humanos.”

 

Reflexão e educação

Além de estimular a reflexão e a conscientização sobre o combate à violência doméstica, a invenção urbana tem caráter educativo, pois no local estão divulgados contatos de emergência, como o número telefônico da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) para eventual denúncia e suporte à vítima.

Ao agradecer ao Tribunal de Justiça por levar o banco para o município, o prefeito de Miranorte, Antônio Carlos Martins, falou sobre a importância da campanha contra o feminicídio e disse que a nova gestão dará continuidade ao projeto.

O Banco Vermelho é um símbolo de resistência e conscientização na luta conta o feminicídio. Representa uma forma de honrar as vítimas da violência de gênero e de despertar na sociedade para a urgência de ações que promovam a igualdade e a segurança das mulheres.

Instituto Banco Vermelho (IBV)

O Instituto Banco Vermelho (IBV) é uma entidade brasileira sem fins lucrativos e suprapartidária, dedicada à missão de erradicar o feminicídio no Brasil. A entidade promove o combate à violência contra a mulher por meio de intervenções urbanas, movimentos culturais e ações educativas.

O IBV foi fundado em 25 de novembro de 2023, tendo como marco o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. A iniciativa surgiu da experiência pessoal de duas mulheres de Recife (PE), a publicitária e ativista Andrea Rodrigues e a executiva de marketing Paula Limongi, que transformaram o luto pela perda de entes queridos em um movimento ativo pela mudança.
O Instituto visa o #feminicídiozero não como um ideal inalcançável, mas como um compromisso coletivo. Para aumentar a conscientização, o IBV utiliza bancos vermelhos gigantes em espaços públicos e privados. Esses bancos não apenas promovem a reflexão sobre o tema, mas também fornecem informações sobre canais de apoio às vítimas. Eles servem como pontos de acolhimento, reflexão e informação.

Em 31 de julho de 2024, o Presidente Lula sancionou a Lei nº 14.942, que incorpora iniciativas do IBV ao "Agosto Lilás", o mês dedicado à proteção das mulheres. A lei prevê a instalação de bancos vermelhos em locais públicos e a premiação de projetos relacionados à conscientização e enfrentamento da violência contra a mulher.


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