Um convite para reconhecer capacidades e assegurar o direito à participação marcou a abertura da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, na manhã desta sexta-feira (21/8), no auditório do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), em Palmas. O Judiciário tocantinense participou do evento, que reuniu pessoas com deficiência, alunos atendidos pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), familiares, profissionais, autoridades e representantes de instituições parceiras em torno do tema “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!”.

A programação abriu espaço para reflexão, diálogo e valorização dos direitos, talentos e potencialidades das pessoas com deficiência.
O juiz auxiliar da Presidência do TJTO, Esmar Custódio Vêncio Filho, representou a presidente da Corte, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, e ressaltou que a deficiência constitui apenas uma característica e não determina a identidade ou o futuro de uma pessoa. “A oportunidade transforma o potencial em realidade. Quando uma escola se adapta, ela não está apenas cumprindo uma lei. Quando uma empresa contrata uma pessoa com deficiência e oferece as ferramentas certas de acessibilidade, ela está investindo em talento, inovação e competência”, afirmou.

O magistrado também falou, na oportunidade, sobre sua trajetória próxima às Apaes e reforçou a importância de ouvir as pessoas com deficiência na construção de políticas, leis e soluções. “Não faz sentido planejar cidades, criar leis ou desenhar produtos sem ouvir as pessoas interessadas. Incluir sua voz nos espaços de poder, nas mesas de reunião e na política é o único caminho para uma sociedade verdadeiramente participativa e justa”, destacou.
Potencial
A presidente da Apae de Palmas, Vilma Maria Gomes da Silva, agradeceu ao Judiciário tocantinense por manter as portas abertas às ações da instituição. Segundo ela, o acolhimento e o respeito às particularidades orientam o trabalho diário da entidade. “Na Apae, nós aprendemos todos os dias. Cada pessoa com deficiência que chega até nós é recebida com muito amor, carinho e acolhimento”, declarou.

Vilma também ressaltou que o acesso à educação inclusiva, à saúde, ao esporte, ao trabalho e ao lazer transforma não apenas a vida das pessoas atendidas, mas também a realidade de suas famílias. “Tem gente que olha e vê limitações. Na Apae, a gente olha o potencial de cada um”, enfatizou.
A presidente ainda lembrou que grande parte das famílias atendidas pela instituição, cerca de 80%, enfrenta situações de vulnerabilidade social e tem mães solo como responsáveis. Para ela, a união entre poder público, sociedade e instituições fortalece a defesa de direitos e abre caminhos para uma inclusão que ultrapasse o papel e alcance a vida cotidiana.
Presenças
A programação contou ainda com a presença da secretária-executiva da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça, Patrícia Idehara; servidores do TJTO, representantes da Federação das Apaes do Tocantins (Feapaes-TO), Defensoria Pública, órgãos estaduais, unidades de ensino e entidades sociais ligadas à acessibilidade e inclusão.