Adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas no Tocantins participaram, nesta quinta-feira (2/7), da abertura da 5ª edição do Caminhos Literários no Socioeducativo, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio do Programa Fazendo Justiça. Com o tema “Resistir em batida, verso, corpo e traço”, a edição de 2026 valoriza as expressões do Hip Hop como ferramentas de transformação social, fortalecimento da identidade e construção de novos projetos de vida.
A participação tocantinense ganhou visibilidade nacional com a exibição do Videocast Cria Caminhos, produção protagonizada por adolescentes do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Palmas. O conteúdo integrou abertura do evento durante a transmissão ao vivo que reuniu participantes de diferentes estados para compartilhar experiências desenvolvidas nas unidades socioeducativas do país.
A atividade faz parte dos clubes de leitura Cria das Letras, desenvolvidos em parceria entre o CNJ e o Grupo Editorial Companhia das Letras em dez unidades da Federação. No Tocantins, a iniciativa conta com o apoio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema Socioeducativo do Tribunal de Justiça do Tocantins (GMF/TJTO) em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) e a Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat).
Protagonismo juvenil
No videocast, os adolescentes conduziram uma entrevista com o rapper Vida Nova (Elyhelton Francisco Silva dos Santos), agente socioeducativo do Case Palmas, cantor, compositor, produtor cultural e fundador do grupo Família Vida Nova.

Durante a conversa, o artista compartilhou sua trajetória e destacou como a música se tornou um instrumento para transformar experiências difíceis em mensagens de conscientização. Ao responder às perguntas dos adolescentes, ressaltou a importância da família, das pequenas conquistas e da empatia, além de defender a arte como uma poderosa forma de expressão e reconstrução de histórias.
O diálogo ganhou significado especial quando um dos participantes afirmou enxergar na trajetória do rapper uma referência para jovens que cumprem medida socioeducativa, reforçando a possibilidade de mudança e construção de novos caminhos.
Oficinas de grafite
Outra ação desenvolvida no âmbito do Caminhos Literários ocorreu no Centro Socioeducativo da Região Sul (CSE-SUL), onde adolescentes e jovens participaram de oficinas de grafite ao longo dos meses de junho e julho. A culminância das atividades ocorreu nesta sexta-feira (3/7), dentro da proposta do projeto Caminhos no Território.
As oficinas tiveram a condução do artista e grafiteiro Uemerson da Silva, conhecido como Mano, em parceria com o agente de segurança socioeducativo Thiago Ferreira. Os participantes receberam orientações teóricas e práticas sobre técnicas de grafite, criatividade, expressão artística e cultura urbana.
Além do aprendizado técnico, a iniciativa promoveu integração, fortalecimento da autoestima, trabalho em equipe e reflexão sobre novas perspectivas profissionais e pessoais.
As atividades foram conduzidas pelo artista e grafiteiro Uemerson da Silva (Mano), em parceria com o agente de segurança socioeducativo Thiago Ferreira. Ao longo das oficinas, os participantes tiveram acesso a aulas teóricas e práticas sobre técnicas de grafite, criatividade, expressão artística e valorização da cultura urbana.
Para Mano, participar da iniciativa representa o reconhecimento da arte como instrumento de transformação. "Aprendi nas ruas, mas foi a arte do grafite que mudou a minha vida. Durante a pandemia, ela foi uma das principais fontes de renda para sustentar minha família. Hoje, poder compartilhar esse conhecimento em uma unidade que trabalha pela transformação dos jovens é motivo de muita gratidão."
A experiência também impactou diretamente os participantes. Um dos adolescentes destacou que as oficinas despertaram seu interesse em aprofundar os conhecimentos sobre o grafite e seguir carreira na área artística, ressaltando a forma acessível e acolhedora com que o conteúdo foi apresentado.
"Aprendi muitas coisas com o professor. Ele fala uma linguagem que a gente entende e ensina de um jeito muito fácil. Quero aprofundar meus conhecimentos e me tornar um profissional nessa área."
Para a equipe do CSE-SUL, a iniciativa vai além da transmissão de técnicas de pintura. As oficinas proporcionaram integração, desenvolvimento pessoal, fortalecimento da autoestima, incentivo ao trabalho em equipe e à construção de novos projetos de vida, e reafirma o compromisso da unidade com uma socioeducação pautada na arte, na cultura e na educação.
Mural transforma espaço de acolhimento no CASE de Palmas
As atividades preparatórias para o Caminhos Literários também alcançaram o Case Palmas por meio de uma intervenção artística realizada em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT).
Sete adolescentes participaram da criação de um mural coletivo que transformou a recepção da unidade em um espaço de acolhimento, pertencimento e esperança. A obra reúne elementos marcantes da identidade tocantinense, como o lago, a serra, o sol de Palmas, o futebol e as pipas, símbolos que remetem à liberdade, à infância, aos vínculos familiares e às perspectivas de futuro.

A atividade teve a orientação da estudante de Arquitetura e Urbanismo e artista de grafite Mariana Castro e integra o projeto de extensão Cidade Fora do Texto. Um vídeo sobre a experiência comporá a Mostra Cultural do Caminhos Literários, prevista para os dias 7 e 8 de julho.
A ação integra o projeto de extensão Cidade Fora do Texto, que desde 2025, aproxima estudantes e professores da realidade do sistema socioeducativo por meio de atividades voltadas à cidadania, ao direito à cidade, à cultura e à inclusão social, e terá um vídeo exibido na Mostra Cultural do Caminhos Literários nos dias 7 e 8 de julho.