Banco Vermelho: Ponto de Apoio de Miracema recebe ponto de reflexão sobre combate à violência contra mulher

Homens e mulheres e pé sobre um tapete vermelho em cima de um gramado onde está instalado um banco vermelho gigante

O conhecido Ponto de Apoio, localizado na Avenida Tocantins, em Miracema - a 70 Km da Capital -, passou a contar, a partir desta quinta-feira (14/11), com um importante ponto de reflexão: o Banco Vermelho. Sob o lema "Sentar e Refletir. Levantar e Agir", o banco gigante de 4 metros de comprimento e 1,80 de altura é um convite à manifestação de apoio ao enfrentamento do feminicídio e combate à violência contra a mulher. 

Idealizado pela instituição sem fins lucrativos, Instituto Banco Vermelho (IBV), o monumento chegou à cidade através do Termo de Cooperação assinado pela presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe, e pela prefeita de Miracema, Camila Fernandes.

“Lutamos pelo feminicídio zero. Mesmo ciente de que há cerca de cinco anos o município de Miracema não apresenta casos de feminicídio, sabemos que a violência contra a mulher está em todos os lares, independentemente de classe social, por isso devemos combatê-la. Está entre nós, só por sermos mulheres, entre magistradas, advogadas, psicólogas, médicas, mães, professoras, e não apenas nas classes mais vulneráveis. Até uma filha nossa pode sofrer com esta cultura machista. Muitas vezes começa em pequenos atos, com violência psicológica, patrimonial, podendo chegar à morte, lamentavelmente”.

Pontuou a presidente Etelvina ao mencionar os dados apresentados pelo titular da Vara Criminal e diretor da Comarca de Miracema, juiz Marcello de Ataídes, ao ponderar que mesmo não havendo feminicídio há aproximadamente cinco anos, é importante ressaltar que a população deve ter consciência que quando se trata de violência contra a mulher, não é apenas a física que pode levar à morte, que deve ser combatida, mas ela deve ser enfrentada em diversas frentes.

“Eu nunca ‘trisquei’ a mão nela, doutor! Eles dizem. Mas ameaçam suas companheiras, ateiam fogo em suas roupas, quebram utensílios em casa, usam palavras para constrangê-las. São esses e outros comportamentos que configuram as violências: psicológica, moral, material, patrimonial. Por isso, trabalhamos diuturnamente para combatê-las e quando acontece um pedido de medida protetiva, a executamos de imediato, pois esta causa é a nossa prioridade”, ressaltou. 

Na ocasião, o magistrado parabenizou o Poder Judiciário pela instalação do monumento em Miracema por seu caráter educativo e lembrou que, a fim de ‘cortar o mal pela raiz’ que são os agressores, foi firmada uma parceria com o curso de Psicologia da Universidade Federal do Tocantins - Campus Miracema, para que durante o cumprimento da pena, o agressor participe de cursos voltados à temática. 

A prefeita Camila Fernandes agradeceu ao Poder Judiciário em dar o primeiro passo do projeto em prol da mulher miracemense “para sanar essa violência que ataca a nós mulheres”.

Banco Vermelho

A iniciativa surgiu da experiência pessoal de duas mulheres de Recife (PE), a publicitária e ativista Andrea Rodrigues, e a executiva de marketing Paula Limongi, que transformaram o luto pela perda de entes queridos em um movimento ativo pela mudança.

Símbolo de resistência, o monumento recebe a cor vermelha para simbolizar o sangue das mulheres vítimas do feminicídio. O projeto prevê a instalação de 16 bancos em todo o Estado e conta com duas fases: a simbólica, com a instalação do monumento; e a educacional, que prevê levar o tema à rede de ensino conscientizando os alunos sobre a forma não violenta que devem tratar as mulheres. 

A adesão ao projeto se deve principalmente pelo aumento de casos de feminicídio no Tocantins, disse a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), juíza Cirlene Maria de Assis. Segundo a magistrada, de 2022 para 2023, houve um aumento de 28%. O dado teve um salto substancial de 40%, entre os anos 2023 e 2024.  

“Não podemos mais aceitar que uma mulher vire mais uma estatística e um marco em um cemitério, deixando filhos órfãos. Esses números apresentados são vítimas do patriarcado, do machismo, geralmente são mulheres mortas pelos próprios companheiros. O banco é um local de reflexão, de debates e também de informação, pois nele consta todos os canais de denúncia. Denunciem e iremos lutar pela vida desta mulher e atender também o agressor. A sociedade não pode continuar assim. Devemos mudar esta realidade”.

Disse a juíza Cirlene falando sobre o projeto com terapias para o agressor desenvolvido pelo Judiciário onde todos da Rede de Enfrentamento podem encaminhar e que “já houve diminuição de 5% de reincidências em relação aos que não fazem”.

Serviço

Em casos de violência doméstica, familiar ou de gênero, as denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais, discando: 180 - Denúncias e Informações, 190 - Emergência Polícia Militar, 197 - Denúncia Polícia Civil, 155 - Denúncia e Monitoramento, 100 - Disque Direitos humanos.

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) também oferece atendimento com orientação e encaminhamento por meio da Ouvidoria da Mulher, pelo telefone 0800-6444-334 e e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 


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