Cores, traços delicados e histórias inspiradoras estiveram presentes em cada detalhe da exposição “Talentos que Transformam”, realizada pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), nesta segunda-feira (23/3), em celebração ao Dia Internacional da síndrome de Down. Com a participação de dezenas de alunos(as) da Apae de Palmas e da artista independente Ana Paula Fanhani, o evento reuniu inclusão e valorização da diversidade.
Durante a abertura da programação, a presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, destacou o caráter simbólico e transformador da iniciativa.
“Esse ato, hoje, é de cidadania, de respeito, de dignidade, de reflexão, mostrando que a pessoa com deficiência também é capaz. O Poder Judiciário do Tocantins tem muito respeito por essa causa”, destacou a presidente.
A presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJTO, desembargadora Angela Haonat, ressaltou a relevância da ação.
“A arte tem o poder de nos aproximar, de nos fazer enxergar além das diferenças e de nos lembrar que o talento não encontra limites. Hoje, celebramos não apenas a inclusão, mas o protagonismo das pessoas com síndrome de Down”, pontuou.
Representando a Apae de Palmas, a presidente Vilma Maria Gomes da Silva ressaltou a importância da iniciativa e agradeceu a oportunidade. “Quero expressar minha mais profunda gratidão a todo o Tribunal de Justiça e a todos que nos deram essa oportunidade pelo carinho.” E, ao finalizar, enfatizou o talento: “nossos alunos têm muito talento”.
Exposição
A mostra reuniu cerca de 100 peças, entre pinturas, gravuras e artesanatos. Uma das obras, inclusive, conquistou o 3º lugar no Festival Estadual Nossa Arte. Independentemente de premiações, todas as produções chamaram a atenção pela delicadeza, criatividade e autenticidade.
Para a mãe da artista Ana Paula, Luciane Fanhani, o incentivo é parte essencial desse processo. “É importante estar estimulando e elogiando o trabalho deles, não importa como é, mas o elogio faz muita diferença para eles, não os deixa desanimar”, concluiu.

Ana Paula, que pinta desde a infância e há cerca de dois meses começou a produzir telas, apresentou na exposição seus primeiros quadros. Sobre o processo criativo, revelou que busca inspiração nas cores e nas lembranças das amigas, tornando a pintura um momento de relaxamento.

Entre os expositores, o aluno da Apae e artesão Francisco Luiz Neto Pereira, responsável pela produção de tapetes, resumiu com simplicidade o significado da arte em sua vida. “Aprendi na Apae e me sinto em paz quando estou produzindo.”
A servidora do TJTO, Gabriela Viana, contou sobre o impacto do evento. “Essa exposição é muito mais do que uma amostra de arte, é uma demonstração concreta de talento, sensibilidade e potencial das pessoas com síndrome de Down. Os alunos da APAE, juntamente com a Ana Paula, nos mostram, por meio da pintura e do artesanato, que a inclusão acontece quando damos oportunidade e visibilidade”, finalizou.