Intolerância religiosa, um crime movido pelo preconceito

 “Antes de julgar e agir com violência, as pessoas precisam vir e conhecer o nosso Sagrado. E ver o quão bonito, limpo e sério é a nossa fé. O que desejamos é respeito. Não precisa necessariamente gostar. Nós respeitamos a sua religião, respeitem a nossa”, afirma a yalorisá Valeska T’Osumaréy, líder espiritual da casa Ilê Asé Araketu Omo Araka, pertencente a religião do Candomblé ketu.

Dando continuidade à série “Não à violência cotidiana”, alusiva ao Dia da Não Violência, celebrado nesta quinta-feira (30/01), o Poder Judiciário do Tocantins retrata a intolerância religiosa, uma violência manifestada através do preconceito direcionado às pessoas que aderem a religiões e cultos diferentes. E, a partir do momento que a Constituição Brasileira de 1988 estipulou que o Estado brasileiro seria laico, foi necessária a criação de dispositivos que permitissem a efetiva proteção das várias religiões, principalmente as que são praticadas pelas minorias.

O principal norte das garantias individuais está disposto no artigo 5° da Constituição, em seu inciso VI – “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”.

Desta forma, a intolerância religiosa é uma prática ilegal e inconstitucional, sendo considerada crime, com pena dosada de um a três anos de reclusão, além do pagamento de multa, conforme a Lei de nº 9.459/1997.
“O Ministério Público e a Advocacia, ao exercerem a função de fiscalização da aplicação da lei, são uma trincheira para a proteção desses direitos, que, só serão exercidos em sua totalidade, com o amadurecimento da sociedade”, afirma o advogado João Pedro da Silva de Souza.

Para o pastor Leonardo Amorim Teixeira, a problemática é enorme em todo o Brasil. Segundo o líder religioso da denominação Base Church em Palmas, o desrespeito, a intolerância e toda essa violência contra as diferentes religiões atingem principalmente as pessoas mais vulneráveis.

 “É só cumprir o que Jesus ensinou, que é o amor. Independente de sua fé, do sexo, do que outro faz ou pensa, que possamos pensar que devemos amar a todos e respeitá-los, porque isso é bom e agradável diante de Deus. Quando a gente ama a Deus, não tem como a gente olhar para o próximo, para um ser humano que carrega a imagem e semelhança de Deus, e não amar esse próximo”, disse o pastor.

Uma religião de resistência

“A minha religião é muito bonita e de resistência. É aprender a não desistir nunca. Somos uma família e uma comunidade que está ligada pele a pele com o outro, ao sentir suas dores e necessidades. Estamos apenas cultuando a nossa fé e ajudando o próximo, matando a sede, a fome e dando esperança”, diz a yalorisá Valeska.

A líder religiosa também contou que por diversas vezes os cultos vivenciam situações de intolerância religiosa. “Ouvimos os barulhos. Os telhados do salão sendo apedrejados. É muito triste, doloroso e humilhante. Não estamos fazendo nada de errado, apenas cultuando os nossos deuses. É como se tivéssemos que provar a nossa fé, sendo que isso não é preciso. Estamos aqui para auxiliar o próximo e não para fazer maldade. E na verdade, o único mal que existe é o realizado contra nós”.

Texto: Natália Rezende/ Foto: Hordiley Cangaçu / Arte: Henryque Cerqueira

Comunicação TJTO


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.