Fomentando a governança fundiária, Poder Judiciário Tocantinense promove Fórum focado no diálogo

Lucas Nascimento Foto colorida horizontal mostra o auditório do TJTO com pessoas sentadas na plateia assistindo no palco um debate entre quatro homens sentados falando ao microfone.

O extenso território brasileiro, com seus 850 milhões de hectares, é palco de desafios profundos quando o tema é governança de terras. As heranças históricas, marcadas pela concentração fundiária e desordem na ocupação, somam-se a questões atuais como segurança alimentar, justiça social e sustentabilidade ambiental. Foi nesse contexto que o I Fórum Fundiário, realizado nesta segunda-feira (25/11), no auditório do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), reuniu especialistas, gestores(as) públicos(as) e representantes da sociedade civil para debater as complexidades e as possibilidades da regularização fundiária no Brasil e no Tocantins.

A programação colocou em evidência o poder transformador da regularização fundiária como um instrumento para garantir segurança jurídica e acesso a direitos fundamentais, como moradia e terra. Com palestras e exemplos reais que evidenciaram práticas bem-sucedidas, o evento destacou que regularizar terras é, antes de tudo, promover dignidade.

O papel do Judiciário

Abrindo a programação, o consultor internacional Richard Torsiano (FAO/ONU/Banco Mundial) apresentou uma análise sobre o papel do Judiciário na governança fundiária brasileira. Com anos de experiência no tema, o palestrante destacou que os desafios contemporâneos da regularização têm raízes profundas, que remontam à colonização.

“Sem ações estruturadas, continuaremos falando de regularização fundiária por mais dois séculos. O Poder Judiciário tem um papel essencial nesse processo, tanto na mediação de conflitos quanto na modernização de cartórios e garantia de segurança jurídica. Precisamos enfrentar a raiz do problema e assegurar o direito à terra para todos,” pontuou Richard, enfatizando o potencial das iniciativas no Tocantins como inspiração para outros estados.

Segurança alimentar

A segunda palestra, conduzida por Vágmo Pereira Batista, delegatário do 1º Tabelionato de Notas e Registro de Imóveis de Miracema do Tocantins, mergulhou na relação vital entre regularização fundiária e segurança alimentar. Com dados alarmantes que apontam para milhões de pessoas em situação de fome no Brasil, Vágmo sublinhou o papel fundamental dos pequenos produtores rurais.

“Esses produtores, responsáveis por 70% da cadeia alimentar do país, sustentam tanto os grandes quanto os pequenos. Eles não podem ser excluídos do debate. Regularização fundiária é um processo contínuo que precisa garantir inclusão social e segurança alimentar,” destacou o delegatário.

Regularização urbana

Encerrando as palestras, a oficiala de registro de imóveis Clícia Roquetto, diretora de Regularização Fundiária da Associação dos Registradores de Imóveis do Paraná (Aripar), abordou os desafios e as oportunidades da regularização urbana no Brasil. Em um discurso repleto de provocações e esperança, Clícia destacou as barreiras enfrentadas pelos municípios, como equipes reduzidas, falta de estrutura, desconhecimento legislativo e receios quanto à responsabilização futura.

“A Reurb é uma força motriz para o desenvolvimento do país. (...)Aos prefeitos que assumirão os municípios no próximo ano, firmem um compromisso com o Tribunal de Justiça: façam da regularização fundiária uma realidade. Ordenar o desenvolvimento do município é garantir o bem-estar de seus habitantes”, afirmou.

A palestrante reforçou que a Reurb só será um instrumento efetivo se todos os atores estiverem engajados no mesmo propósito, ressaltando a importância de cooperação e planejamento.

“Na Reurb, podemos fazer muito, mas não podemos fazer tudo. É fundamental que a regularização fundiária seja conduzida com responsabilidade, para que possamos, de fato, resolver o problema daquela população. É importante que vocês compreendam que regularização fundiária não se resume a entregar a matrícula do imóvel ao ocupante; trata-se de um processo muito mais amplo. Ele envolve medidas jurídicas, urbanísticas, ambientais e sociais”, pontuou Clícia.

Mediação e debatedores

Mediadas pelo juiz Wellington Magalhães, coordenador do Núcleo de Prevenção e Regularização Fundiária (Nupref), as palestras foram um espaço para compartilhar boas práticas, conectar experiências locais a debates globais e reforçar a importância do trabalho integrado entre o Poder Judiciário e os municípios.

Na primeira palestra, os debatedores foram Vágmo Pereira Batista e Clícia Roquetto. Na segunda palestra, participaram Edmundo Rodrigues Costa, superintendente regional do INCRA/TO; Aleandro Lacerda, presidente da Tocantins Parcerias; e Richard Torsiano. Já a terceira palestra contou com a presença de Vânia Sousa, advogada responsável pela regularização fundiária em Araguaína/TO; Josiene Soares Guimarães, advogada e presidente da Comissão de Regularização Fundiária na Prefeitura de Dianópolis; e Humberto Xavier, professor doutor e presidente do Instituto de Atenção às Cidades (IAC/UFT).

Na ocasião, a Tocantins Parcerias homenageou a desembargadora Maysa Vendramini Rosal e o juiz Wellington Magalhães, ao entregar uma placa em reconhecimento pela “valiosa parceria na regularização fundiária nos últimos dois anos”, destacando a  promoção da “dignidade e cidadania para milhares de tocantinenses, garantindo o direito à moradia e transformando vidas”.

O I Fórum Fundiário, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça do Tocantins (CGJUS) em parceria com a Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), não apenas debateu os desafios da regularização fundiária, mas também ofereceu caminhos para construir um Brasil mais justo e inclusivo. Pois, como bem resumiu Richard Torsiano:

“Regularizar terras é garantir que cada cidadão tenha um lugar na sociedade e no território brasileiro”.


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