Experiência do TJRJ mostra como transformar tecnologia em eficiência no Judiciário

Rondinelli Ribeiro A imagem mostra o juiz Josué de Matos Ferreira, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJERJ), apresentando a palestra "As sinergias entre as automatizações do Sistema ePROC e a centralização do processamento na CEPROC: a experiência do TJERJ" no palco do auditório do TJTO.  Ao fundo, um telão exibe o tema da apresentação, com destaque para os conceitos de gestão de pessoas e processos de trabalho, enquanto o palestrante conduz a exposição aos participantes do IV Encontro Interinstitucional do eproc.

A experiência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) na integração entre tecnologia, gestão e automação abriu a programação da tarde desta segunda-feira (6/7) do IV Encontro Interinstitucional do eproc. O tema foi apresentado pelo juiz Josué de Matos Ferreira na palestra “As sinergias entre as automatizações do Sistema ePROC e a centralização do processamento na CEPROC: a experiência do TJRJ”.

Ao compartilhar a experiência do TJRJ, o magistrado explicou que a implantação do eproc foi acompanhada por uma ampla reorganização da forma de trabalho, conduzida pela Central de Processamento (CEPROC), vinculada à Corregedoria-Geral da Justiça. Segundo ele, o maior desafio não está apenas na adoção de uma nova ferramenta tecnológica, mas na superação de práticas herdadas do processo físico.

"Embora o processo seja digital, a forma de operá-lo permanece atrelada a práticas do passado. Se o operador do sistema não abandonar essa cultura, acabará reproduzindo as ineficiências do legado, independentemente da qualidade da nova ferramenta”, pontuou o juiz Josué de Matos.

Durante a apresentação, Josué de Matos Ferreira destacou que a centralização do processamento permitiu estruturar fluxos padronizados de trabalho, considerados fundamentais para ampliar o potencial das automatizações oferecidas pelo eproc.

Segundo o magistrado, o modelo adotado pelo TJRJ organiza as equipes por serviços e por etapas do fluxo processual, direcionando os(as) servidores(as) epara atividades que demandam análise técnica, enquanto as tarefas repetitivas são executadas por automações. A estrutura também permite monitorar o desempenho das equipes, aperfeiçoar continuamente os processos de trabalho e preservar um histórico das regras de automação, garantindo maior transparência e segurança na gestão.

Outro ponto de destaque foi o uso de modelos de linguagem (LLMs) para ampliar a eficiência das atividades desenvolvidas pela CEPROC. De acordo com o juiz, a inteligência artificial terá papel decisivo na automação das etapas iniciais da tramitação processual, especialmente na triagem de processos.

Como exemplo dos resultados alcançados, o magistrado apresentou o fluxo de processamento das petições iniciais da competência cível.

"Petições iniciais que levavam até um ano e meio para receber o despacho inicial de citação hoje são processadas entre 30 e 60 dias"

O juiz também apresentou uma ferramenta desenvolvida pelo TJRJ para automatizar a pesquisa de endereços de partes processuais, consolidando informações provenientes do próprio sistema judicial e de bases externas em um único ambiente. Segundo ele, a solução foi concebida para funcionar de forma integrada a diferentes plataformas judiciais e fortalecer a cooperação entre os tribunais que utilizam o eproc.

"Nossa proposta é fomentar uma rede efetivamente colaborativa entre os tribunais participantes. Queremos que todos possam compartilhar suas bases de diligências para otimizar o fluxo de trabalho de forma automática”, pontuou.

Ao encerrar a palestra, Josué de Matos Ferreira reforçou que o avanço da transformação digital depende da integração entre tecnologia, gestão e colaboração institucional, permitindo que o eproc evolua continuamente como ferramenta de modernização da prestação jurisdicional.


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