Em Porto Nacional, TJTO participa de movimento em memória de Morgana Vieira e contra o feminicídio 

Rondinelli Ribeiro

Morgana presente. Nenhuma mulher a menos. Feminicídio não! Com estas palavras de ordem, a caminhada pelo fim da violência contra a mulher tomou as ruas de Porto Nacional na última sexta-feira (31/7). Organizado pelo Movimento Negro Unificado (MNU), o Ato Público por Morgana Vieira e contra o Feminicídio contou com a participação do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid).

“Hoje a nossa caminhada tem nome e rosto e não aceitaremos em silêncio. A luta contra o feminicídio é uma luta por dignidade e justiça. Por Morgana, por todas as mulheres. Nenhuma a menos”, destacou a organizadora do movimento, Ana Cleia Kika.

O Poder Judiciário do Tocantins é referência nacional na emissão de medidas protetivas de urgência, liderando o ranking do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com um tempo recorde de apreciação de até 24 horas, enquanto a média brasileira é de quatro dias. Acompanhada da assessora técnica da Cevid, Ana Karoliny Cirqueira, e das servidoras do Fórum de Porto Nacional, Isadora Gasparini de Queiroz e Raquel Cavalcante de Souza Sepulveda, a assessora jurídica da Cevid, Letícia Oliveira, destacou a atuação do TJTO em prol das mulheres durante o ato.

 

Assessora jurídica da Cevid/TJTO, Letícia Oliveira, destacou agilidade do Judiciário na concessão de medidas protetivas em 24h, acima da média nacional de quatro dias

 

“O Poder Judiciário do Tocantins está entregando as medidas protetivas em um prazo recorde. Também estamos buscando fortalecer a rede, até porque entendemos que o Judiciário, sozinho, não vai entregar essa resposta para essa mulher e para sua família. Então, buscamos fortalecer a atuação com a Segurança Pública e com o Poder Executivo para reduzir esse número alarmante que está ocorrendo em nosso Estado.”

Além do Judiciário, o ato reuniu integrantes de diversas instituições, como Ministério Público, Defensoria Pública, Polícias Civil e Militar, Guarda Municipal, Câmara Municipal, OAB, Hospital Regional, UPA, Maternidade, secretarias municipais, universidades, institutos de ensino, conselhos municipais, igrejas, entidades representativas, movimentos sociais e coletivos de mulheres de Porto Nacional e Palmas.

Judiciário no combate à violência contra a mulher

Com base na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), além das medidas protetivas, o Judiciário tocantinense realiza periodicamente mutirões de julgamento de feminicídios e de violência doméstica, em regime de esforço concentrado, durante as Semanas Nacionais da Justiça pela Paz em Casa, como as realizadas no mês de agosto. O Agosto Lilás prevê não só mutirão de julgamentos, mas também campanha de conscientização e ações preventivas.

Os mutirões dão celeridade a centenas de processos e contam com pautas específicas do Tribunal do Júri. O Judiciário conta ainda com o Banco Vermelho, instalação que visa chamar a atenção da população para a importância do enfrentamento da violência contra a mulher e do combate ao feminicídio; desenvolve ações de sensibilização pelo fim do ciclo da violência com oficinas educativas do Banquinho Vermelho voltadas às crianças; promove grupos reflexivos para homens autores de violência, buscando a responsabilização, a mudança de comportamento e o rompimento do ciclo da violência, entre outras iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.

O TJTO integra a Rede de Atendimento e Enfrentamento, que atua de forma articulada entre instituições, serviços governamentais, não governamentais e comunidade, estando organizada em quatro principais áreas: Justiça, Saúde, Segurança Pública e Assistência Social.

Luta no luto

Em meio ao luto, a família de Morgana Vieira Monteiro, 45 anos, assassinada na última segunda-feira (27/7), buscou forças para se juntar ao movimento em prol das mulheres. Estiveram presentes sua filha, Lívia Monteiro, de 23 anos; seu pai, João Hélio Monteiro; a irmã, Jordana Vieira Monteiro; e o cunhado, Adriano. Morgana era enfermeira no município de Porto Nacional e morava em Palmas onde atuava também como técnica de Enfermagem do Sistema Socioeducativo. Ela deixou ainda Laura, de 8 anos.

 

Irmã de Morgana, Jordana Vieira, cobrou medidas dos órgãos públicos para conter o feminicídio


A irmã de Morgana, Jordana Vieira, reforçou a necessidade de fortalecer as medidas de enfrentamento ao feminicídio.

“Estamos tentando nos reerguer. Tive que levantar do meu luto para me juntar a esta nobre causa, pois sei que, infelizmente, não é apenas por Morgana, irmã zelosa, alegre e doce, mas estamos aqui para dar um basta nesta violência, para que outras mulheres não virem um número, como a minha irmã. Se não tiver quem fale, ninguém falará e nós nos calaremos. Então, hoje é um motivo de tristeza, mas, ainda assim, nós repudiamos toda e qualquer violência contra as mulheres”, pontuou Jordana.

Canais de denúncia

Se você sofre ou presenciou alguma situação de violência de gênero, não se omita e denuncie pelos seguintes canais: 180 – Denúncias e Informações; 190 – Emergência da Polícia Militar; 197 – Denúncias à Polícia Civil; 155 – Denúncia e Monitoramento; 100 – Disque Direitos Humanos.

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) também oferece atendimento com orientação e encaminhamento por meio da Ouvidoria da Mulher, pelo telefone 0800-6444-334 e pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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