Abertura do Copedem projeta uma Justiça conectada aos desafios do presente

Ednan Cavalcanti A imagem mostra a abertura do Copedem, com quatro autoridades no palco, sendo uma delas falando ao microfone em um púlpito, enquanto o público acompanha sentado na plateia, de costas. Ao fundo, um grande banner destaca as frases “Congresso Copedem 2026”, “Conexão para o futuro” e “Saúde, tecnologia e desenvolvimento sustentável”.

O Congresso Copedem 2026 começou na noite desta quinta-feira (26/3), na Bahia, com uma abertura marcada por defesa da formação judicial, cooperação entre instituições e compromisso com uma Justiça mais preparada para responder às transformações do presente. Com o tema “Conexões para o Futuro: Saúde, Tecnologia e Desenvolvimento Sustentável”, a edição deste ano reúne representantes do sistema de Justiça, dirigentes de escolas da magistratura, especialistas e convidados do Brasil e do exterior.

O momento contou com a participação do presidente do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (Copedem) e diretor geral da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), desembargador Marco Villas Boas; do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha; do presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano; e do presidente do Tribunal da Relação do Porto e do Conselho Consultivo de Juízes Europeus, desembargador José Igreja Matos, convidado para a conferência de abertura com o tema “Poder Judiciário e Estado de Direito”.

Ao abrir oficialmente o congresso, o desembargador Marco, situou a proposta do encontro no contexto de um tempo marcado por mudanças rápidas e desafios interligados. 

“Entre o mar da Bahia e o horizonte do futuro, nos reunimos, mais uma vez para refletirmos sobre temas de vital importância para o Brasil”, afirmou. 

Segundo ele, a edição de 2026 parte da compreensão de que questões como saúde, tecnologia e desenvolvimento sustentável exigem diálogo entre áreas, instituições e experiências distintas. “Temas dessa magnitude não se enfrentam com respostas prontas e isoladas, mas com conexões inteligentes entre saberes, setores e pessoas”, pontuou.

O desembargador também chamou atenção para o ambiente de transição vivido no país e no mundo. “Vivemos uma era de transições aceleradas”, disse, ao citar os impactos da inteligência artificial, das mudanças climáticas, das tensões internacionais e das incertezas econômicas sobre as instituições e sobre a vida social. Para ele, o papel do Colégio, nesse cenário, é fortalecer um espaço de reflexão qualificada e cooperação institucional. 

“O Copedem se consolida como um importante fórum de debates sobre direitos fundamentais, inovação, desenvolvimento sustentável, participação democrática, e sobre o papel das instituições no Estado Democrático”, comentou.

Ao falar sobre a realização do congresso em solo baiano, o presidente do TJBA destacou o valor estratégico do encontro para o Poder Judiciário. Em sua fala, o desembargador José Edivaldo observou que a programação do evento foi estruturada em torno de temas de alta complexidade, como governança da inteligência artificial, regulações tecnológicas e judicialização da saúde suplementar. 

“O rigor técnico exigido neste evento reflete a missão primordial das escolas de magistratura: garantir que o capital humano do Poder Judiciário esteja apto a lidar com as transformações da era digital e com os novos paradigmas do desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O desembargador também chamou atenção para o valor do intercâmbio entre tribunais e escolas. “É por meio deste intercâmbio técnico que construímos soluções inovadoras capazes de enfrentar gargalos históricos da prestação jurisdicional”, disse, ao defender que os debates do congresso possam se converter em medidas concretas de gestão e em uma jurisdição mais previsível para a sociedade.

Em uma fala marcada por memória institucional, reconhecimento e defesa do diálogo, o ministro João Otávio de Noronha ressaltou o papel do Copedem na formação da magistratura brasileira e fez referência direta ao comprometimento do desembargador Marco Villas Boas com essa trajetória. Ao lembrar sua atuação, afirmou:

“que bom que nós temos magistrados com a sua vocação, com a sua dedicação, trabalhando em prol da formação dos magistrados”.

Para o ministro, o valor da instituição está justamente no compromisso com a formação qualificada, no compartilhamento de experiências e na capacidade de reunir magistrados em torno de um projeto comum.

Estado de Direito, memória e cooperação

Convidado para a conferência de abertura, o desembargador português José Igreja Matos trouxe ao auditório uma apresentação mais reflexiva, ancorada na experiência internacional e em referências humanas e simbólicas. Ao invés de seguir por uma exposição apenas conceitual, o magistrado escolheu conduzir sua fala a partir de histórias, evocando a experiência de Nelson Mandela e a capacidade humana de preservar sentido, dignidade e coesão mesmo em contextos extremos. 

A escolha dialogou diretamente com o tema da noite. Para ele, a defesa do Estado de Direito passa não só por estruturas formais, mas também por memória, cooperação, confiança institucional e compromisso coletivo.

Ao reconhecer no presidente do Copedem uma liderança decisiva na consolidação do encontro, José Igreja Matos também reforçou o caráter afetivo e institucional do congresso, visto por ele como espaço de partilha entre sistemas de Justiça que, embora distintos, enfrentam problemas semelhantes e podem aprender mutuamente.

Um congresso voltado ao presente e ao que vem a seguir

programação segue nos dias 27 e 28 de março com painéis sobre governança de IA, sustentabilidade como estratégia, Lei do Repasse, futuro da Previdência, saúde e ciência aplicada, tecnologia e Justiça do Trabalho, desenvolvimento, agronegócio, regulações de risco, saúde suplementar, segurança energética e mobilidade elétrica.


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