2ª Semana Nacional da Saúde alcança cerca de 100% de resolutividade e garante mais de 1,2 mil atendimentos no Tocantins

Elias Oliveira Reunião de conciliação em sala do Judiciário reúne magistrados, equipe técnica e representantes da saúde. Em primeiro plano, um pai acompanha uma criança em cadeira adaptada, enquanto participa do atendimento com documentos em mãos.
Conciliação em saúde, no Fórum de Palmas, reuniu instituições e garantiu atendimento com foco no paciente

Com índice de 99,38% de conciliação nas audiências e mais de 1,2 mil atendimentos especializados realizados, a 2ª Semana Nacional da Saúde no Tocantins, de 6 a 12 de abril, consolidou um modelo que encurta distâncias entre a demanda reprimida e o acesso efetivo à saúde. Em poucos dias, o que aguardava anos encontrou prazo, solução e acompanhamento.

A força-tarefa no Tocantins terminou com um resultado que vai além dos números e revela uma mudança concreta na forma de resolver demandas de saúde pública. O balanço dos mutirões de audiência fechou com 161 audiências realizadas, 160 acordos firmados e apenas um caso sem consenso. Um índice de 99,38% de resolutividade que traduz, na prática, o avanço da conciliação como instrumento de garantia de direitos.

A presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) aparece ao centro, ladeada por magistrados e servidores, durante a 2ª Semana Nacional da Saúde, no Fórum de Palmas. O grupo posa em ambiente interno institucional, reunindo equipes envolvidas na ação, que mobiliza o Judiciário e parceiros para ampliar o acesso a atendimentos e soluções na área da saúde.

As audiências concentraram casos sensíveis, muitos deles sem solução há anos na rede pública, a exemplo de  cirurgias ortopédicas, procedimentos vasculares, fornecimento de próteses e tratamentos especializados. Situações que, antes, percorriam um caminho longo e incerto, passaram a ter data para acontecer.

O diferencial está no compromisso firmado em mesa. Cada acordo estabeleceu prazo fixo e passou a ser monitorado pelo Comitê Estadual da Saúde (CES/TO). O descumprimento exige justificativa formal e pode gerar responsabilização do ente público, o que transforma a decisão judicial em resultado concreto e verificável.

O mutirão reposicionou o tempo, fator crítico em demandas de saúde. Pacientes que aguardavam há meses ou anos deixaram as audiências com datas definidas para consultas e cirurgias, muitas delas em até 30 ou 45 dias.

Esse encurtamento de caminhos representa, para as famílias, qualidade de vida, alívio da dor e retomada de perspectivas interrompidas pela espera.

 

No centro da política pública

Paralelamente às audiências, o Tocantins avançou sobre um dos maiores desafios da saúde pública, que é o acesso ao diagnóstico e acompanhamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e outras neurodivergências.

Atendimento especializado com abordagem humanizada reúne equipe técnica e criança em ambiente acolhedor. Profissionais acompanham a atividade lúdica enquanto realizam escuta e avaliação.
Atendimento especializado durante a Semana Nacional da Saúde garantiu acolhimento e acompanhamento infantil

Entre os dias 6 e 12 de abril, 1.236 atendimentos especializados foram realizados em Palmas, Araguaína e Gurupi, com atuação integrada das redes municipal e estadual.

Araguaína lidera com 337 atendimentos, seguida por Palmas (260) e Gurupi (200). Na rede estadual, o Centro Estadual de Reabilitação soma 329 atendimentos e a neuropediatria do Hospital Geral de Palmas responde por outros 110.

Os dados ganham peso diante da alta demanda por diagnósticos e terapias, especialmente entre crianças, e a dificuldade de acesso a equipes multidisciplinares.

 

Força institucional

A integração entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Estado e municípios sustenta o desempenho alcançado. Dentro das salas de audiência, a presença simultânea dos atores envolvidos assegurou análise técnica imediata e construção de soluções viáveis, com redução de etapas e prevenção de novos entraves processuais.

Atendimento de conciliação em saúde reúne equipe técnica e usuários em sala do Judiciário. Profissionais analisam documentos e sistemas, enquanto um paciente é orientado durante o acompanhamento do caso.
Atendimento em saúde avançou com análise técnica e encaminhamentos definidos

Coordenadora da 2ª Semana Nacional da Saúde e do Comitê Estadual de Saúde, a juíza Milene de Carvalho Henrique destacou que a segunda edição se consolidou pela atuação estratégica e integrada entre as instituições. No campo judicial, o elevado índice de acordos evidencia a efetividade do modelo adotado. Na frente assistencial, o avanço se reflete no atendimento de pessoas que aguardavam na fila da rede pública, muitas delas já com início de tratamento encaminhado de forma mais ágil e adequada. “Os acordos firmados refletem não apenas a resolutividade dos processos, mas o fortalecimento da integração institucional, com respostas mais rápidas e maior satisfação do jurisdicionado.”

A magistrada ressaltou que o balanço da iniciativa confirma a força da atuação conjunta entre o Judiciário, a gestão pública e os demais parceiros institucionais.

“Mais do que uma inovação, o modelo representa um esforço coletivo voltado à melhoria do atendimento ao usuário e ao jurisdicionado, assegurando maior efetividade no acesso ao direito à saúde.”

A coordenadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargadora Silvana Maria Parfieniuk, reforça o caráter resolutivo da iniciativa.

“Esse mutirão foi extremamente exitoso. É uma convergência de atitudes tanto do Judiciário quanto do Estado, do município, da Defensoria Pública e do Ministério Público. Eu vejo que nós conseguimos criar essa rede de atendimento e diminuir a burocracia que muitas vezes existe para o efetivo cumprimento das demandas da sociedade. Esse mutirão foi feito pensando no jurisdicionado como foco principal.”

O desembargador Gil Correa enfatiza o impacto humano das audiências.

“Em casos de saúde, o que se busca não é indenização, mas o acesso ao serviço. A audiência aproxima as partes e humaniza um processo que já envolve sofrimento.”

A diretora do Fórum de Palmas, juíza Flávia Afini Bovo, chama atenção para a relevância social da ação.

“A saúde é um tema muito sensível e o que nós temos de mais valioso. Esse mutirão assegurou que pessoas que dependem do poder público tenham suas demandas atendidas com maior rapidez, respeito e a dignidade que merecem.”

Pelo Ministério Público, o promotor Thiago Vilela, coordenador do Centro de Apoio Operacional da Saúde (CaoSaúde), enfatiza o compromisso com a efetividade.

“O Ministério Público buscou, por meio do diálogo e da fiscalização rigorosa, garantir que o estado e o município cumpram seus prazos.”

O coordenador do Núcleo Especializado de Defesa da Saúde da Defensoria Pública, Arthur Pádua, aponta o avanço e o desafio seguinte.

“Foi muito positivo. Entendi que esse movimento de conciliação é muito importante pra gente tentar dar efetividade nas decisões judiciais, fixando prazos para o cumprimento.”

O secretário estadual de Saúde, Carlos Felinto Júnior, citou a continuidade da estratégia.

“Reforçamos a atuação conjunta com o Judiciário e o CNJ para ampliar o atendimento à população e garantir o acompanhamento desses pacientes após os mutirões.”

Já o procurador-geral do município de Palmas, Renato Oliveira, ressalta o impacto direto para a população.

“O município se preparou para poder tentar resolver a situação do jurisdicionado, que é a razão pela qual todos esses esforços foram feitos por todos os órgãos. E o município sai muito satisfeito. Conseguimos resolver boa parte das demandas e eu acho muito importante.”

 

Mutirão de audiências de conciliação (Saúde Pública)
Período: 6 a 10 de abril

Indicador Seg (06/04) Ter (07/04) Qua (08/04) Qui (09/04) Sex (10/04) Total
Audiências designadas 38 39 35 39 28 179
Audiências realizadas 30 33 32 39 27 161
Acordos realizados 30 33 32 38 27 160
Canceladas/não realizadas 7 6 3 1 0 17

 

Atendimentos especializados (TEA, TDAH e neurodivergências)
Período: 6 a 12 de abril

Local / Unidade Atendimentos
Secretaria Municipal de Araguaína 337
Secretaria Municipal de Gurupi 200
Secretaria Municipal de Palmas 260
Estado – CER III 329
Estado – neuropediatria HGP 110
Total geral 1.236
 

 

⏹MACRODESAFIO
Prevenção de Litígios e Adoção de Soluções Consensuais para os Conflitos

⏹MACRODESAFIO
Fortalecimento da Relação Institucional do Poder Judiciário com a Sociedade

 

 


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