104º Encontro de Presidentes tem início com crítica à lei que permite uso de recurso dos depósitos judiciais

O presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins, desembargador Ronaldo Eurípedes, participou na noite desta quinta-feira (20/8) da abertura do 104º Encontro do Colégio de Presidentes, em Curitiba, e destacou a crítica do presidente do Colégio, desembargador Milton Nobre, à Lei Complementar n. 151/2015 que pratica “empréstimo compulsório” ao utilizar os depósitos judiciais em dinheiro referentes a processos judiciais ou administrativos, tributários ou não tributários, nos quais o Estado, o Distrito Federal ou os Municípios sejam parte.

O desembargador Ronaldo Eurípedes observou que este é um tema relevante por se tratar de uma ingerência indevida no Poder Judiciário. Ele ressaltou que a questão levou a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) a ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a lei, no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual o Colégio de Presidentes vai requerer sua admissão no feito na condição amicus curiae.

A lei complementar combatida na ADI prevê que 70% dos valores depositados nas instituições financeiras sejam transferidos para o Tesouro do Estado, Distrito Federal ou Município e que haverá um fundo de reserva, para garantir a restituição, composto com os restantes 30%.

Na abertura do encontro, o presidente do Colégio afirmou que esta medida afeta o regular trabalho do Judiciário que já enfrenta dificuldades orçamentárias no país inteiro. "Não há como o Judiciário afinar-se com as demandas da sociedade sem o devido aporte financeiro", disse no discurso de abertura no qual criticou a lei complementar sancionada. Segundo ele, a lei representa um exemplo de políticas de conveniência partidária por transformar em receita pública em potencial os recursos alheios que compõe os depósitos judiciais e administrativos.

Além do presidente do Colégio, o desembargador Paulo Roberto Vasconcelos, que preside o Tribunal de Justiça do Paraná, também discursou na abertura do evento. De improviso e de modo informal para aproximar os pares, como ressaltou o anfitrião, defendeu que o Colegiado saia mais fortalecido e unido do encontro para conseguir novos apoios junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e tribunais superiores.

Após a abertura, os presidentes foram recebidos pelo governador do Estado do Paraná, Beto Richa, que ofereceu um jantar no Palácio Iguaçu. 

Pauta

Nesta sexta-feira (21/08) a partir das 9 horas, o Senador Álvaro Dias ministrará a palestra “Mudança no modelo de Administração Pública Brasileira”. Depois os presidentes debaterão sobre a reforma do Regimento Interno do Colégio Permanente dos Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil e da normatização da "contribuição financeira dos TJs ao Colégio". 

O colegiado também vai tratar da criação do Registro Civil Nacional (RCN), fixada pelo Projeto de Lei 1775/2015 em tramitação na Câmara dos Deputados e a "Ameaça à continuidade do serviço estatal extrajudicial de Registro Civil das Pessoas Naturais" diante da iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de tentar controlar a operacionalidade dos serviços dessas serventias.

Os presidentes visitarão a mostra do "Programa Justiça no Bairro" no Tribunal de Justiça do Paraná e participarão da palestra com o ministro do Superior Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O colegiado discutirá a "Desjudicialização das Execuções Fiscais e/ou supressão da competência delegada em relação às execuções fiscais da União e ações previdenciárias e Política de Regularização Fundiária".

A pauta de sábado inclui ainda o tema "Plantão do Segundo Grau (Pequenos e Médios Tribunais)" e o projeto da nova LOMAN, além da discussão e aprovação da Carta de Curitiba.

Lailton Costa - Cecom/TJTO


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