Os rumos do Poder Judiciário do Tocantins para os próximos seis anos começaram a ser definidos nesta segunda-feira (3/8), com o início da construção do Planejamento Estratégico 2027–2032. Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) participam de uma agenda colaborativa voltada à definição das prioridades institucionais que orientarão a atuação do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) até 2032.
Na abertura dos trabalhos, realizada na Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), a presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, destacou que o momento representa uma oportunidade de renovar objetivos, aperfeiçoar processos, estabelecer prioridades e fortalecer o compromisso do Judiciário com uma justiça cada vez mais eficiente, inovadora e próxima da sociedade.
"Os trabalhos que realizaremos hoje e amanhã são de grande importância para a evolução e o fortalecimento do Poder Judiciário do Tocantins. A cada seis anos, o Tribunal de Justiça promove esse importante momento de construção coletiva: avaliar o caminho percorrido, aprender com a experiência acumulada e definir os próximos passos da instituição", afirmou.
Segundo a presidente, o planejamento estratégico ultrapassa o caráter de um documento formal e se consolida como um instrumento essencial para orientar a atuação institucional, fortalecer a governança e assegurar uma prestação jurisdicional cada vez mais célere e efetiva.
A desembargadora Maysa Vendramini também reforçou a importância da participação de todas as áreas do Tribunal na elaboração do novo planejamento.
"Esta é uma construção participativa. Precisamos ouvir, dialogar, propor melhorias e definir metas juntos, cada um colaborando com sua experiência e vivência", destacou.
Alinhamento às transformações do Judiciário
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Pedro Nelson de Miranda Coutinho ressaltou que o início do novo ciclo de planejamento reafirma o compromisso institucional do Tribunal com uma gestão qualificada e voltada ao aperfeiçoamento permanente da prestação jurisdicional.
Segundo ele, uma Justiça mais eficiente depende de processos bem estruturados, equipes preparadas e de um planejamento alinhado à Estratégia Nacional do Poder Judiciário estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça para o período de 2027 a 2032.
O desembargador também chamou atenção para a velocidade das transformações vividas nos últimos anos, especialmente em razão dos avanços tecnológicos.

"Precisamos entender o que está acontecendo agora para que tenhamos a capacidade de compreender o que pode acontecer nos próximos anos", afirmou.
O corregedor lembra que elaborar um planejamento estratégico exige capacidade técnica, diálogo institucional e visão de longo prazo, já que o objetivo vai além da definição de metas.
Planejamento construído com participação
Diretor-geral da Esmat, o desembargador Marco Villas Boas destacou que o planejamento estratégico deve partir do conhecimento da realidade institucional e da participação de todas as unidades do Judiciário.
Ao recordar a construção do primeiro planejamento estratégico participativo do Tribunal, iniciado entre 2003 e 2004, afirmou que a experiência demonstrou a importância de conhecer os problemas antes da definição das diretrizes. "Planejamento estratégico não se faz sem conhecer a realidade. Primeiro é preciso diagnosticar, compreender a complexidade dos desafios e, somente depois, estabelecer as diretrizes."
Segundo o diretor, a estratégia deve ser construída de forma coletiva e revisada periodicamente, permitindo o aperfeiçoamento contínuo das ações e a correção de rumos.

"Cada um precisa compreender que sua participação é fundamental nesse processo. Porque não existe nenhuma função isolada que determina os destinos da instituição", disse.
O desembargador reforçou a importância da construção coletiva, com muita transparência, participação, troca de informações e enriquecimento cultural.
Etapas do processo
Durante a apresentação técnica do trabalho, o coordenador da Coordenadoria de Gestão Estratégica, Estatística e Projetos (Coges) do TJTO, Renato Alves Gomes, explicou que o planejamento estratégico é um processo contínuo que define o rumo da organização para sair da situação atual e alcançar o futuro desejado.
Segundo ele, o trabalho será desenvolvido a partir de três etapas fundamentais: diagnóstico da situação atual, definição da visão de futuro e construção dos projetos, indicadores e metas que permitirão transformar a estratégia em resultados concretos.
Renato também apresentou o cronograma de elaboração do novo planejamento. Em agosto ocorrerão a coleta de dados, as oficinas e a consulta institucional; em setembro, a consolidação das propostas; e, em outubro, a finalização do documento e sua apresentação à alta administração.

O coordenador destacou que o processo será participativo e contará com contribuições presenciais e por meio de formulário eletrônico disponível para magistrados(as), servidores(as) e colaboradores(as). "Precisamos muito da colaboração de todos vocês para nos ajudar nessas perguntas e respostas.”
A consulta pública permitirá que os participantes respondam à pergunta norteadora da construção do novo plano estratégico: “Se a Justiça fosse perfeita em 2032, como ela seria?” A partir dessa reflexão, cada participante poderá escolher um dos macrodesafios e apresentar sugestões para o futuro do Judiciário tocantinense.
A programação terá continuidade nesta terça-feira (4/8), na Esmat, com a realização do workshop de construção do Planejamento Estratégico 2027–2032. Durante a atividade, magistrados(as) e servidores(as), organizados em grupos focais, participarão de oficinas colaborativas para analisar desafios, construir soluções e definir propostas de projetos estratégicos que irão compor o novo Plano Estratégico.
Cultura de protagonismo
Durante a programação, o especialista em gestão estratégica Fábio Scannavino ministrou a palestra Gestão Estratégica no Serviço Público: uma questão de consciência. Na oportunidade, o palestrante destacou que o planejamento estratégico somente produz resultados quando deixa de ser um documento e passa a orientar as decisões diárias da instituição. "Planejamento estratégico é vivido todos os dias. O jogo começa quando ele sai do papel e passa para a prática", afirmou.

Scannavino também enfatizou que o protagonismo de cada servidor é indispensável para o sucesso do processo. "O planejamento estratégico deve ser construído de forma participativa, executado por todos, monitorado continuamente e orientado para gerar valor para a sociedade."
O especialista ainda provocou os participantes a refletirem sobre os impactos das transformações tecnológicas, especialmente da inteligência artificial, na administração pública e na prestação jurisdicional dos próximos anos, e reforçou que o planejamento precisa preparar a instituição para um cenário de mudanças aceleradas.
“Planejar é importante, executar é obrigatório. Aprender e melhorar continuamente é essencial”, ressaltou.