Roda de conversa com servidoras terceirizadas amplia debate sobre violência contra a mulher

Rondinelli Ribeiro Servidoras terceirizadas e integrantes da Ouvidoria da Mulher e do NAPsi participam da quarta roda de conversa do projeto “Ouvidoria da Mulher: Voz e Presença”, na sede do Núcleo.

Histórias, experiências e informações sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher marcaram a quarta roda de conversa do projeto “Ouvidoria da Mulher: Voz e Presença”. A atividade, promovida pela Ouvidoria da Mulher do Poder Judiciário do Tocantins, em parceria com o Núcleo de Acolhimento e Acompanhamento Psicossocial (NAPsi), reuniu servidoras terceirizadas na tarde desta quinta-feira (13/8), na sede do Núcleo.

A iniciativa integra a programação do Agosto Lilás e busca aproximar a Ouvidoria da Mulher das profissionais que atuam diariamente no Judiciário, além de divulgar os canais de escuta, acolhimento e orientação disponíveis.

Durante o encontro, conversou-se sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, os sinais de uma relação abusiva e os fatores que dificultam o rompimento do ciclo de agressões.

A copeira Doracy Gomes compartilhou lembranças da infância, marcada pela violência dentro de casa. “Éramos seis irmãos e a gente vivia sob aquela situação de abusos vindos do meu pai. Ele bebia, chegava gritando em casa, humilhava minha mãe, traía, e ela acabou normalizando a situação. Infelizmente, tem mulheres que acham normal a situação que estão vivendo”, relatou. O pai dela morreu em 2022.

Participantes da quarta roda de conversa do projeto “Ouvidoria da Mulher: Voz e Presença” posam para foto ao final do encontro, na sede do NAPsi. Servidoras terceirizadas receberam lembranças durante a atividade.

Escuta e acolhimento

A ouvidora da Mulher do TJTO, desembargadora Ângela Prudente, explicou que o projeto busca divulgar as atribuições da Ouvidoria e facilitar o acesso das mulheres aos serviços oferecidos. “A finalidade deste projeto é promover essa aproximação e levar a todas o conhecimento sobre as atribuições e o papel da Ouvidoria da Mulher. É um órgão para ouvi-las, acolhê-las e recebê-las”, afirmou.

A desembargadora destacou que o atendimento não se limita a magistradas e servidoras. A estrutura também atende colaboradoras, estagiárias e mulheres do público externo que precisam de orientação, acolhimento ou informações sobre os caminhos disponíveis diante de uma situação de violência. “Queremos possibilitar esse canal porque muitas talvez nem saibam que existe uma Ouvidoria da Mulher dentro do Tribunal de Justiça. Estamos aqui para oferecer informação e conscientização sobre uma questão que aflige tantas famílias”, ressaltou.

A ouvidora da mulher também reconheceu a contribuição das profissionais terceirizadas para o funcionamento do Judiciário. “Vocês são muito importantes para o nosso Judiciário. Desde a recepção até os serviços de limpeza e organização, vocês nos proporcionam um ambiente saudável e humano. Queremos que também se sintam apoiadas pela Ouvidoria da Mulher e pelo NAPsi”, disse.

Ao abordar o ciclo da violência, a ouvidora alertou que as agressões nem sempre começam com ataques físicos. Ameaças, restrições, proibições, isolamento e afastamento de familiares e amigos também integram esse processo. “A violência começa, geralmente, com uma pequena ameaça e, gradativamente, aumenta. Depois, pode passar para a violência física e chegar ao feminicídio. Não podemos aceitar nenhum tipo de violência, seja contra nós ou contra nossos familiares”, alertou.

O psiquiatra do NAPsi, Wordney Camarço, explicou que o agressor costuma alternar episódios de violência com pedidos de desculpas, promessas de mudança e demonstrações de afeto. Esse comportamento pode confundir a vítima e levá-la a acreditar que tem responsabilidade pelas agressões sofridas. “Muitas vezes, ele coloca na esposa a culpa pela violência. A mulher começa a pisar em ovos porque não pode fazer ou falar nada que a pessoa possa não gostar. Em geral, novos episódios acontecem, repetem-se e tornam-se cada vez mais graves”, explicou.

O psiquiatra também chamou a atenção para fatores que aumentam a vulnerabilidade das mulheres, como a dependência financeira e a preocupação com os filhos. Segundo ele, é importante reconhecer as etapas do ciclo para buscar ajuda antes que a violência se agrave.

 

Voz e Presença

O projeto “Ouvidoria da Mulher: Voz e Presença” busca dar visibilidade e voz às mulheres que constroem o Judiciário tocantinense. Por meio de atividades educativas e de sensibilização, a iniciativa apresenta a magistradas, servidoras, estagiárias e colaboradoras os serviços de escuta, orientação e proteção disponíveis.

Também participaram da roda de conversa a coordenadora da Ouvidoria da Mulher, Alessandra Adorno; as psicólogas do NAPsi, Bárbara Khristine Alvares de Moura Camargo e Arlene Antunes; e a assistente social Elizete Alves.

 


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