Para juiz federal, é preciso um ponto de equilíbrio para casos de judicialização em saúde

Hodirley Canguçu/ Esmat Em um palco, um homem branco, de terno,fala ao microfone enquanto é observado por outros dois homens de terno sentados em uma cadeira
O juiz federal Clenio Jair Schulze, membro do Comitê de Saúde do Fórum da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que ministrou a palestra de encerramento

“O futuro é exatamente encontrar um ponto de equilíbrio, reconhecer que não é possível fornecer tudo que é judicializado”. É o que prevê o juiz federal Clenio Jair Schulze, membro do Comitê de Saúde do Fórum da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que ministrou a palestra de encerramento do Simpósio o Direito e a Saúde: em foco a judicialização da saúde, com o tema: “Futuro da Judicialização em Saúde”.

Segundo o juiz, essa questão reflete um problema mundial. “Todos os países do mundo passam por isso. As pessoas precisam compreender que elas não vão conseguir, infelizmente, tudo que desejam”, destacou o magistrado. “Do outro lado, o papel do Estado e do Judiciário em encontrar quais são as melhores terapias e tratamentos para atender o maior número de pessoas”.

Ao falar sobre o tema, Schulze trouxe informações sobre as fases da judicialização, sendo a primeira a judicialização da esperança. “Os juízes jogam com base em critérios gerais e abstratos, como a esperança, por exemplo”, explicou.

Judicialização baseada em evidências

A segunda, conforme informou o palestrante, é a fase atual da judicialização da saúde baseada em evidências. “O juiz precisa decidir com base em evidências científicas na área da saúde, e essa é a atual posição do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça)”.

Com base nessa fase, o palestrante lançou uma proposta de sugestão de provocação para magistratura tocantinense, no sentido de uma terceira fase da judicialização: a da discussão sobre os resultados, “saber se esses tratamentos que são judicializados efetivamente trouxeram resultados positivos para as pessoas que judicializaram”.

Para Schulze, essa é uma importante questão. “Porque é exatamente saber se os gastos que foram realizados trouxeram resultados para saúde das pessoas”, reforçou.

De acordo com o palestrante, a inflação na área da saúde aumenta muito a questão dos custos e o desafio da sociedade, não apenas do Judiciário, é encontrar limites, “saber quais são os melhores tratamentos e quais podem ser suportados financeiramente pela população”, ressaltou.

A última mesa do simpósio foi coordenada pelo juiz federal Igor Itapary Pinheiro, da Justiça Federal – Seção Judiciária do Tocantins.


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.