Metas para 2026 são anunciadas no 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário 

Mauricio Vieira / NCI TJSC Auditório lotado com plateia assistindo a uma mesa de autoridades no palco durante o 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário, em Florianópolis (SC). Um grande telão ao fundo exibe a imagem de uma palestrante

O 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário (ENPJ) terminou nesta terça-feira (2/12) após dois dias dedicados à consolidação das metas e diretrizes que vão orientar o planejamento dos tribunais em 2026 e no ciclo estratégico de 2027 a 2032. Realizado em Florianópolis, no Centro Integrado de Cultura (CIC), o evento reuniu presidentes e corregedores dos tribunais, magistrados de todo o país, integrantes da Rede de Governança Colaborativa, equipes de gestão estratégica e servidores da área de estatística. Do Tocantins, participaram do encontro a presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), desembargadora Maysa Vendramini Rosal, e o corregedor-geral de Justiça (CGJUS), desembargador Pedro Nelson de Miranda Coutinho.

Líder da comitiva do Tocantins, a presidente do TJTO, desembargardora Maysa Vendramini, tratou de assuntos relevantes para o Judiciário

“Foi um evento importante para a Justiça Brasileira. Discutimos assuntos relevantes para a gestão dos tribunais e saímos daqui com uma diretriz para o próximo ano. Conseguimos tratar de questões de interesse de toda a magistratura, incluindo temas como infância e juventude, violência doméstica e reforma administrativa”, destacou a presidente do TJTO.

Um dos destaque do evento foi a apresentação das Metas Nacionais do Poder Judiciário para 2026 e dos macrodesafios que orientarão o planejamento de 2027 a 2032. As metas para o ano que vem incluem, entre outras, julgar mais processos que os distribuídos, priorizar ações antigas, estimular a conciliação e acelerar o julgamento de casos ambientais, de direitos indígenas e quilombolas, de racismo e injúria racial, além de processos relacionados à violência doméstica e aos direitos da criança e do adolescente.

Entre os macrodesafios aprovados para 2027 a 2032 estão a proteção dos direitos fundamentais, o fortalecimento da relação institucional com a sociedade, a agilidade e a qualidade na prestação jurisdicional, o combate à corrupção e aos ilícitos eleitorais, além da prevenção de litígios com métodos adequados de solução de conflitos e da consolidação dos precedentes obrigatórios. O conjunto também abrange ações de sustentabilidade, melhorias na justiça criminal e o desenvolvimento ético de soluções tecnológicas, com atenção à segurança cibernética.

Corregedor-geral de Justiça (CGJUS), desembargador Pedro Nelson de Miranda Coutinho ressaltou importância do encontro para uma Justiça mais eficiente

“Essas estratégias e metas são de fundamental importância para que nós, do Poder Judiciário, possamos levar uma justiça mais célere, dinâmica e competente”, ressaltou o corregedor do Tocantins.

Na parte da tarde, ainda foi realizado o anúncio do Prêmio CNJ de Qualidade 2025. A premiação reconhece os tribunais que se destacam em governança, gestão, inovação e transparência. 

Panorama dos tribunais superiores

No painel sobre o panorama dos tribunais superiores, o ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, e a presidente do Superior Tribunal Militar, ministra Maria Elizabeth Rocha, apresentaram as ações estratégicas de suas respectivas cortes.

Eles destacaram iniciativas voltadas à defesa dos direitos humanos, ao enfrentamento das discriminações, ao fortalecimento da Justiça do Trabalho como instrumento de justiça social, à promoção da equidade e da sustentabilidade e ao avanço da tecnologia e da segurança digital no Judiciário. A mesa também contou com o presidente do STF e do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, que conduziu o debate; o vice-presidente do STF, ministro Alexandre de Moraes; e a secretária-geral do CNJ, Clara Mota.

Panorama do Judiciário

Ainda na tarde de terça-feira, o ministro Mauro Campbell proferiu a palestra “Panorama Judiciário Estadual e Federal”. Ele apresentou uma reflexão sobre as transformações do Judiciário nas últimas duas décadas, ressaltando a importância da unidade institucional em um país marcado por assimetrias regionais, diferentes estruturas de trabalho e a maior carga processual do mundo. Destacou que “não há democracia forte com o Judiciário fragmentado”, reforçando que a unidade é condição para a legitimidade institucional.

Ao tratar das políticas públicas estruturantes do CNJ, o ministro destacou iniciativas voltadas à cidadania, aos povos indígenas, à proteção de crianças e adolescentes e à promoção da dignidade humana. Enalteceu o programa Novos Caminhos, criado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em parceria com a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) e Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), e nacionalizado pelo CNJ, que amplia e fortalece redes de apoio para jovens em acolhimento institucional por meio de educação, cursos profissionalizantes, atividades esportivas, atendimentos em saúde, estágios e ações de empregabilidade. Segundo ele, políticas dessa natureza representam marcos civilizatórios porque “salvam uma geração”. E foi além: “Esses programas são a face mais humana, mais concreta e mais transformadora do nosso Poder Judiciário”.

Coragem e compromisso

Ao final, o ministro Edson Fachin agradeceu ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina e ao presidente Francisco Oliveira Neto, que integrou a mesa de encerramento, pela acolhida e pela exemplar organização que permitiram a realização do 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário.

Em um dos momentos mais marcantes da tarde, Fachin fez referência à morte da professora catarinense Catarina Kasten, de 31 anos, vítima de feminicídio em novembro. Disse que ninguém ali poderia ser indiferente à “desafiadora realidade que nos interpela” e afirmou com contundência: “A violência é uma derrota da civilização. Cada feminicídio é uma derrota coletiva”. Pediu que o Poder Judiciário faça a sua parte “sem receio, nem titubeio”, e que o exemplo de Catarina permaneça como lembrança e obrigação moral para todos.

Na sequência, refletiu sobre os desafios contemporâneos, defendendo um Judiciário capaz de sonhar alto sem perder o rigor institucional, e citou verso da poeta Helena Kolody para reafirmar que, mesmo diante do impossível, é preciso “criar o mundo de possibilidades”.

Convidou todos a manter a coragem e o compromisso institucional, e reforçou que o trabalho consistente e cooperativo é o caminho para construir uma Justiça capaz de responder às legítimas demandas da sociedade brasileira. “Que sigamos com coragem e compromisso, fortalecendo o Poder Judiciário à altura do nosso tempo”, disse. Antes de declarar o evento encerrado, anunciou oficialmente que Fortaleza sediará no ano que vem o próximo Encontro Nacional do Poder Judiciário.

 


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.