Júri simulado presidido por juiz tocantinense em aldeia de Goiás capacita procuradores federais para atuação em casos criminais indígenas

Divulgação Pessoas em simulação de um tribunal do júri dentro de ginásio em uma aldeia indígena

Convidado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para uma iniciativa de capacitação de procuradores federais sobre questões criminais de povos originários, o juiz Wellington Magalhães presidiu um Tribunal do Júri simulado nos dias 7 e 8/10, na Aldeia Indígena Buritiná Karajá, no estado de Goiás.

Segundo a AGU, a atividade busca especializar o atendimento jurídico destinado a indígenas em conflito com a legislação penal. Conforme o órgão, o julgamento simulado baseou-se em um caso real de homicídio ocorrido na Ilha do Bananal. A simulação reconstruiu um fato de 2010, com motivações culturais e tradicionais da comunidade, com finalidade exclusivamente pedagógica, para ajudar os participantes a debater os desafios do encontro entre o sistema de Justiça brasileiro e os direitos indígenas.

Com atuação na Comarca de Cristalândia, na Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), onde é diretor adjunto para a formação de magistrados, e em projetos relacionados aos direitos dos povos indígenas, o juiz destaca que atividades realizadas nas próprias comunidades qualificam a aplicação do Direito.

 "Não é possível oferecer uma resposta verdadeiramente justa aos povos indígenas sem conhecer sua cultura, sua organização social, suas tradições e suas formas próprias de compreender a vida em comunidade", argumenta o juiz. 

Wellington Magalhães acrescenta que ao entrar em uma comunidade indígena para ouvir, aprender e dialogar, e não apenas para decidir, o sistema de Justiça “abre uma importante ponte entre instituições que historicamente nem sempre falaram a mesma linguagem."

O projeto integra a criação do Núcleo Especializado em Matéria Criminal da Procuradoria Federal Especializada junto à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e também contou com a participação do promotor Argemiro Ferreira dos Santos Neto, do Ministério Público do Tocantins, e de vários procuradores federais, sob a coordenação de Lusmar Soares Filhos.

 


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