Inteligência Artificial e a Justiça Digital encerram os debates do Congresso Internacional em Direitos Humanos

Fotos: Ednan Cavalcanti Fotografia colorida que mostra três homens e uma mulher sentados em um palco cujo fundo tem um telão azul com o tema do Congresso Internacional de Direitos humanos

A Justiça Digital e a Inteligência Artificial: Realidade e Grande Desafio para o Judiciário do Brasil e do Mundo foi tema do painel que encerrou os debates na tarde da sexta-feira (4/10), da XVII Edição do Congresso Internacional em Direitos Humanos. A programação contou com a participação dos doutores Ana Carla Bliacheriene, Luciano Vieira de Araújo e Lauro Ishikawa, de São Paulo.

A professora Ana Carla destacou a importância da integração da Inteligência Artificial (IA) na busca pela dignidade humana no sistema judiciário. Enfatizou que a justiça digital e a IA não apenas representam uma realidade emergente, mas também um desafio significativo para a prestação jurisdicional. O Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins foi apresentado como um espaço inovador que busca uma jurisdição mais célere e transparente por meio do uso de tecnologias avançadas.

A painelista definiu a Inteligência Artificial (IA) como uma simulação das habilidades humanas por máquinas que utilizam algoritmos e dados para realizar tarefas envolvendo raciocínio, reconhecimento de padrões e tomada de decisões. Destacou que essa tecnologia oferece novas possibilidades para o funcionamento do Judiciário, permitindo uma personalização que pode ser vantajosa ao lidar com as especificidades de cada caso.

Imagem colorida que mostra um homem e uma mulher falando em um palco cujo fundo tem um telão azul sobre o Congresso Internacional dos Direitos Humanos

“A IA Generativa não deve ser vista como uma substituição dos(as) servidores(as), mas como um suporte que aprimora a eficiência e a eficácia do trabalho judiciário”, afirmou.

O Projeto Hórus também ganhou destaque como exemplo de uso da tecnologia para otimizar processos e trazer soluções inovadoras. Realizado nos últimos meses pela Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Startup Taqui, o projeto envolve cursos e oficinas focadas na utilização de IA Generativa no Poder Judiciário. Essa colaboração tem possibilitado o uso da inteligência artificial para processar grandes volumes de informações, aumentando a eficiência e a eficácia do sistema judiciário.

A IA chamada SARA, que já está sendo destaque no Judiciário tocantinense, foi apresentada como um diferencial para o Tribunal, oferecendo análises em larga escala, automação de fluxos e capacidade de personalização para magistrados(as), além de garantir segurança, rastreabilidade e auditoria. Foram enfatizados os desafios relacionados à agilidade no processo judicial e a necessidade de coragem para inovar, com foco na utilização prudente da tecnologia, respeitando limites éticos e de transparência.

Fotografia colorida que mostra um homem branco de terno, sorrindo

Na sequência, o professor Luciano Vieira de Araújo compartilhou sua perspectiva sobre a aplicação da Inteligência Artificial no Judiciário. Enfatizou a importância de compreender as limitações e as potencialidades dessa tecnologia, destacando que a implementação de sistemas de IA deve ser guiada por princípios éticos e pela busca da justiça.

“Estamos vivendo um momento único em que a tecnologia pode transformar a forma como a justiça é administrada. No entanto, devemos ter cuidado para que a tecnologia não se torne uma substituta do juízo humano, mas sim uma ferramenta que possibilite ao(à) magistrado(a) dedicar mais tempo às questões essenciais do processo, permitindo uma análise mais profunda e uma decisão mais justa”, disse.

Dando continuidade ao debate, o doutor Lauro Ishikawa abordou o direito ao livre mercado tecnológico, ressaltando a importância da criação e do uso da tecnologia para fins econômicos lícitos dentro de um espaço constitucionalmente protegido. Alertou que qualquer legislação que desencoraje ou proíba o uso de tecnologias pode ser considerada inconstitucional, reafirmando que o uso da tecnologia deve promover o desenvolvimento nacional e regional, conforme disposto no artigo 219 da Constituição Federal.

 

O desembargador Marco Villas Boas, diretor geral da Esmat e moderador do painel, destacou que a Inteligência Artificial representa um desafio significativo para o Poder Judiciário. Enfatizou a importância de garantir os direitos fundamentais e de colocar a tecnologia a serviço da sociedade, promovendo o respeito à dignidade humana.

Ao final das apresentações, os palestrantes foram homenageados em reconhecimento às suas contribuições para o aprimoramento do sistema de justiça. A homenagem foi entregue pelo desembargador Marco Villas Boas.


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