Escuta ativa e acesso à Justiça marcam a tarde do IV Encontro de Ouvidorias da Região Norte no Tocantins

Hodirley Canguçu/Ascom ESMAT Foto mostra participantes do IV Encontro de Ouvidores da Região Norte reunidos em uma sala, sentados ao redor de mesas dispostas em formato de U. Ao centro, autoridades compõem a mesa principal. Ao fundo, um painel identifica o evento, e arranjos de flores decoram o espaço. Bandeiras dos estados da Região Norte estão posicionadas sobre as mesas.

Sediado de forma inédita no Tocantins, o IV Encontro de Ouvidorias da Região Norte destacou, em sua programação da tarde desta quinta-feira (27/8), o papel da escuta ativa e do combate à discriminação no Sistema de Justiça. O evento reuniu debates sobre o programa “Escuta Territorializada”, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltado à quebra de barreiras e aproximação com povos indígenas e comunidades tradicionais, e discussões sobre a evolução das políticas de enfrentamento ao assédio no Judiciário, reforçando as ouvidorias como instrumentos essenciais de cidadania e acolhimento seguro.


Durante o evento, a ouvidora-geral do STF, juíza Flávia da Costa Viana, apresentou as diretrizes da nova ouvidoria especializada em Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, instituída em abril. A magistrada detalhou o Escuta Territorializada, cujo objetivo é levar o STF diretamente aos territórios, superando o modelo restrito aos canais de comunicação à distância. A metodologia inclui o deslocamento de equipes aos locais, a gravação e a transcrição integral dos relatos, a sistematização das informações e a definição de um(a) interlocutor(a) comunitário(a) para garantir a devolutiva. "A ideia é aproximar o STF dessas pessoas que historicamente tiveram barreiras geográficas, linguísticas, tecnológicas e também de invisibilidade na história, trazer essa escuta para reconhecê-los(as) e reconhecer a importância da escolha que eles(as) fazem no que diz respeito ao seu modo de vida", enfatizou a juíza Flávia da Costa Viana.



A programação também contou com a participação da desembargadora Tânia Regina Silva Reckziegel, presidente do Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual e da Discriminação no Poder Judiciário (Cojum), que ministrou a palestra “A Evolução do Comitê de Enfrentamento”. A magistrada abordou as inovações e alterações promovidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na política de combate ao assédio, instituída pela Resolução nº 351/2020, da qual foi relatora, e explicou por que as ouvidorias são as grandes aliadas no acolhimento das vítimas. "Através das ouvidorias, a maior parte das demandas e dos acionamentos com relação à temática ingressam dentro do Judiciário. A pessoa que está sofrendo determinado assédio tem muitas dificuldades de relatar. Os dados indicam que as ouvidorias são os locais onde as pessoas se sentem seguras, à vontade e, de certa forma, até protegidas para poderem falar", pontuou a desembargadora, ressaltando como a política vem sendo aprimorada ao longo do tempo a partir dessas experiências.






Tocantins

Celebrando a oportunidade de o Estado sediar a quarta edição do encontro regional, o ouvidor judiciário do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), desembargador João Rodrigues Filho, ressaltou o valor da troca de vivências, que contou também com a presença do ouvidor nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Nós vamos aqui discutir temas relacionados às ouvidorias, trocar ideias, experiências e melhorar a gestão. Isso vai trazer benefícios ao(à) jurisdicionado(a), porque com isso a gente consegue melhorar nosso serviço e atender melhor ao(à) cidadão(ã) que procura o Poder Judiciário", avaliou.

Programação do segundo dia

As atividades do encontro continuam com novos debates voltados ao fortalecimento das ouvidorias como instrumento de cidadania. Para acompanhar a grade completa de atividades e palestras, acesse a página oficial: https://esmat.tjto.jus.br/programacao.


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