Em Itacajá, magistrados(as) e demais convidados(as) falam sobre profissões e cidadania na 2ª fase do EducaJus

Elias Oliveira A imagem mostra estudantes sentados e atentos à apresentação de uma mulher que fala ao microfone durante uma atividade do projeto EducaJus – De Papo com a Justiça, no Colégio Estadual de Itacajá (CEI).

“Normal, eu tô de boa!” Foi assim que o aluno do 9º ano Kelvin do Santo, de 14 anos, se definiu ao final da dinâmica promovida pelo EducaJus – De Papo com a Justiça, durante a 2ª etapa do projeto, iniciada nesta segunda-feira (15/6), no Colégio Estadual de Itacajá (CEI). A programação segue até quarta-feira (17/6).

Mas quem o acompanhou de perto não percebeu calmaria. Pelo contrário, viu um vulcão em erupção, lançando diversos questionamentos aos(às) convidados(as) do dia. A curiosidade foi ainda mais estimulada após a leitura da cartilha “Justiça e Cidadania se Aprende na Escola”, produzida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Kelvin foi um dos 70 alunos(as) do 9º ano envolvidos na iniciativa que receberam o exemplar diretamente das mãos da gestora do projeto, juíza Rosa Maria Gazire Rossi, que agradeceu o empenho dos estudantes. “A participação de vocês foi incrível. Gratidão pelo interesse de cada um de vocês pelo projeto”, disse.

“Eu já tenho a minha profissão escolhida, já sei o que quero ser. Fiz o curso de brigadista mas ainda não sou adulto. Estou só esperando o tempo certo para seguir nesta carreira. Mas foi muito bom. Estou aprendendo muito com o projeto”, disse o estudante, que participou ativamente da atividade, questionando sobre a diferença entre o juizado tradicional e um juizado especial, como é a vida de um(a) juiz(a) e qual foi a maior causa julgada.

Para responder a perguntas como essas, foram convidados(as) a diretora da Comarca de Palmas, juíza Flávia Afini Bovo; a diretora da Comarca de Itacajá, juíza Luciana Aglantzakis; o juiz Roniclay Alves de Morais; o servidor da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), Murilo Barreira Lustosa; o delegado da Polícia Civil de Itacajá, Nivaldo Antunes; e o advogado Pablo Borges.

“Essa convivência é muito importante para mostrar nosso trabalho e um pouco da nossa profissão”, disse a juíza Flávia Bovo, esclarecendo os conceitos de cidadania durante a atividade da Caixa de Perguntas.

“Cidadania começa com respeito. A partir do momento que você vem para a escola e obedece as regras, por exemplo, já está exercendo a cidadania”, pontuou a magistrada, destacando que também é possível discordar das normas, “desde que aborde a diretora e justifique seus motivos com educação, empatia e respeito”, finalizou.

Esta 2ª fase prevê o compartilhamento de conhecimentos a partir do sentir e do ver vivenciados na primeira etapa. Para isso, foram realizadas trocas de experiências, atividades de perguntas e respostas e rodas de conversa com magistrados(as), convidados(as) e servidores(as) do Judiciário. Estão previstas, ainda, palestras, vivências e círculos de Justiça Restaurativa, culminando na elaboração de produções artísticas, como redação, podcast e poema, entre outras, com o tema EducaJus – De Papo com a Justiça, a serem apresentadas na terceira e última etapa do projeto.

Dia de trocas

Esta segunda etapa do projeto, intitulada “Saber, celebrar, comprometer e planejar”, contou com programação interativa voltada à compreensão de conceitos fundamentais de cidadania, com base na Constituição Federal de 1988 e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que versam sobre a dignidade da pessoa humana.

Questionado sobre como o Sistema de Justiça pode ajudar a melhorar a vida dos jovens, o juiz Roniclay Alves destacou que o mundo só pode melhorar com educação de base. “E a Rosa vem desenvolvendo esse trabalho brilhante há cinco anos com o EducaJus mostrando como as coisas funcionam, plantando sementes. Um indutor  para novas potencialidades em nossa sociedade. Aproveitem e absorvam ao máximo tudo que ela está proporcionando a vocês com este projeto”, pontuou.

Sobre a importância do estudo, a juíza Luciana Aglantzakis destacou ser fundamental que cada pessoa encontre seu próprio método, independentemente da profissão que seguir. “O que importa é foco e esforço. Qualquer um aqui pode alcançar seus objetivos e realizar sonhos, basta dedicação em tudo que se propõe a fazer”, destacou a magistrada, que é formada em Direito, Jornalismo e Letras e é doutoranda em Direitos Humanos.

Questionado sobre a diferença entre um advogado criminalista e os demais advogados, Pablo Antunes explicou que o ponto de partida para qualquer profissional da advocacia é cursar a faculdade de Direito por cinco anos e obter a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), documento que o habilita a atuar como advogado. Após essa etapa, o profissional escolhe a área em que deseja atuar, sendo uma delas a criminal.

Enquanto isso, o assessor da CIJ, Murilo Lustosa, explicou aos alunos que a Coordenadoria não atua somente na defesa e na proteção dos direitos, mas também de forma punitiva, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente. “Se uma mãe precisa de vaga numa creche ou escola pode nos procurar. Se a biblioteca da sua escola precisa de livros também podemos colaborar. Mas se um adolescente cometer um ato infracional também precisamos agir”, pontuou Murilo.

O delegado Nivaldo finalizou explicando que o melhor caminho são os estudos, mesmo para aqueles que não aspiram a seguir grandes carreiras. “Não tem como fugir, estudar é o caminho. A matemática, por exemplo, está em tudo que fazemos. Então, para tudo que formos fazer na vida, devemos estudar”, ponderou.

Programação

As atividades seguem nesta terça-feira (16/6), com ações de Justiça Restaurativa, e na quarta-feira (17/6), com a participação de outros(as) convidados(as). Serão apresentados conceitos de matemática financeira pela Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), conteúdos sobre sustentabilidade pela equipe da Coordenadoria de Gestão Socioambiental e de Responsabilidade Social do Tribunal de Justiça do Tocantins (Cogersa/TJTO) e orientações sobre crimes cibernéticos pela Polícia Civil.


Fechar Menu Responsivo
Busca Processual Jurisprudência Diário da Justiça
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.