Educadora americana diz que é preciso focar nos relacionamentos para trilhar o caminho da Justiça Restaurativa na educação

Elias Oliveira Mulher branca fala num púlpito  com imagens em um telão de fundo.
Educadora americana Katherine Evans falou sobre o processo de transformação por meio da Justiça Restaurativa na escola

“A base fundamental da Justiça Restaurativa é o relacionamento”, disse a educadora e Ph.D. em psicologia educacional, Katherine Evans, durante a palestra “A potência da Justiça Restaurativa na Educação”, que abriu o 1º Encontro Nacional de Justiça Restaurativa na Educação, nesta quarta-feira (23/8), no auditório do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).

A educadora ressaltou que a Justiça Restaurativa (JR) traz a “crença que todos os seres humanos têm valor e papel na sociedade”, e a partir disso, é possível fazer a transformação, desta forma, a importância dos relacionamentos. Katherine Evans usou como exemplo uma foto da família em que estava ao lado de sua esposa. Segundo ela, o registro não seria possível antes da JR. “A Justiça Restaurativa mudou as relações que tenho com minha família”.

Katherine disse ainda que a JR na Educação evoluiu e expandiu pelos anos, mas, segundo ela, a estrada para a transformação é longa e leva tempo e esforço. “São milhares de anos de opressão, precisamos desaprender e aprender a melhor forma de respeitar. Precisamos aprender uns com os outros”.

Para trilhar o caminho da transformação, a educadora elencou seis princípios: 1) relacionamento saudável na escola, como essencial à aprendizagem efetiva; 2) necessidades honradas e cumpridas; 3) conflitos como oportunidades de aprendizado e não somente para ser evitados; 4) a responsabilidade uns pelos outros em ambientes de apoio; 5) a cura através do suporte para consertar as coisas; 6) a experiência justiça/injustiça tem impacto o senso de comunidade das pessoas.

Baseada nesses princípios, ela observou ainda que a JR na escola não é  apenas uma maneira de mudar a configuração dos alunos dentro de uma sala de aula, não focar somente no comportamento, mas nas necessidades e no atendimento dessas necessidades. Assim, segundo a palestrante, crianças e adolescentes vão saber se relacionar e lidar com os conflitos. “Existe uma direção que queremos tomar, mas não é um caminho reto. No caminho, qualquer passo pequeno nos leva a algo”, disse, acrescentando que os desafios não podem impedir de se tomar o primeiro passo.

 

Programação
A palestra foi mediada pelo ministro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a juíza Federal em São Paulo e membro do Comitê Gestor de JR do CNJ, Kátia Herminia Martins Lazarano Roncada, e a juíza auxiliar da Presidência do TJTO, Rosa Maria Gazire Rossi, que agradeceu a presença da educadora e disse que "honro os seus ensinamentos e sou grata a eles".

Ao encerrar, o ministro Vieira de Mello disse que uma escola de qualidade em que as diferentes necessidades e anseios sejam atendidos passa pela dedicação de todos, principalmente do Poder Judiciário. “Sabemos das consequências se essas pessoas não tiverem oportunidades, chances”, afirmou, complementando que é preciso partir de um mesmo ponto em que envolve esforço, amor, compaixão e respeito à diversidade.

O primeiro dia do 1º Encontro Nacional de Justiça Restaurativa na Educação foi encerrado com a apresentação do grupo tocantinense, Tambores do Tocantins e com uma sessão de autógrafos da palestrante Katherine Evans.

 


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