Na comarca de Colméia, que reúne também os municípios de Goianorte e Itaporã do Tocantins e Pequizeiro, a violência contra a mulher continua impondo desafios que vão além dos números. Nesse contexto, o projeto JUS em Ação, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), promoveu, nesta terça-feira (9/6), uma série de ações de conscientização, mobilização e fortalecimento da rede de proteção.
Com o foco na construção de uma rede capaz de impedir que a violência avance, a programação reuniu gestores públicos, estudantes, representantes do sistema de Justiça e a comunidade em torno do compromisso de transformar conscientização em prevenção.
O ponto alto da agenda foi a assinatura do Termo de Cooperação pelo fim do feminicídio, seguida da instalação do Banco Vermelho na praça do antigo fórum. A iniciativa integra uma estratégia de mobilização permanente desenvolvida pela Cevid para fortalecer políticas públicas locais e ampliar a conscientização sobre a violência de gênero.
Durante a cerimônia, a presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), desembargadora Maysa Vendramini Rosal, destacou as ações da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) que integram a proposta do JUS em Ação para ampliar o alcance das iniciativas do Judiciário e fortalecer a proteção às mulheres nos municípios do interior. Segundo ela, atividades como as oficinas do Banquinho Vermelho e a implantação do Banco Vermelho contribuem para a conscientização da comunidade e para o fortalecimento das redes locais de enfrentamento à violência de gênero.
A coordenadora da Cevid, juíza Cirlene de Assis, elogiou o trabalho desenvolvido pela rede de proteção de Colméia e destacou o comprometimento das instituições no atendimento às mulheres em situação de violência. Segundo ela, a participação dos profissionais nas atividades promovidas pelo Judiciário durante o período da tarde demonstrou que o município possui uma atuação articulada e preparada para oferecer acolhimento integral às vítimas. “Desde as primeiras visitas da nossa equipe, percebemos o envolvimento e a dedicação de todos. Hoje tivemos a confirmação de que a rede está organizada, capacitada e comprometida com a proteção das mulheres”, afirmou.
A magistrada também chamou atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher no país e para a gravidade dos índices de feminicídio. Segundo ela, embora as instituições tenham avançado no acolhimento e na proteção das vítimas, os dados mostram que o problema continua exigindo atenção permanente do poder público e da sociedade. “Infelizmente, estamos vivendo um agravamento da violência contra a mulher. Os casos têm se tornado mais graves e o feminicídio ainda é uma realidade preocupante”, disse ao enfatizar que é preciso fortalecer cada vez mais a prevenção, a conscientização e o trabalho em rede para proteger vidas e enfrentar essa cultura de violência que ainda persiste em nossa sociedade.
O juiz diretor do Fórum de Colméia, Marcelo Rostirolla, lembrou que o Banco Vermelho é um símbolo internacional do combate à violência contra a mulher e significa um marco para o município.
O prefeito de Colméia, Pedro Clésio Ribeiro, ao participar da assinatura do termo, reforçou a parceria entre o município e o Poder Judiciário e destacou a importância das ações desenvolvidas durante o JUS em Ação, especialmente as iniciativas de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Ao comentar a implantação do Banco Vermelho, ele ressaltou o empenho do município para viabilizar a iniciativa. “É uma ação muito importante e que representa essa luta contra a violência doméstica.”
Educação para transformar
Outra frente importante da programação ocorreu na Escola Josefina Ribeiro dos Santos, onde estudantes participaram da Oficina do Banquinho Vermelho. A atividade utiliza linguagem acessível e recursos pedagógicos para discutir temas como respeito, igualdade, violência de gênero e cultura de paz. A proposta é sensibilizar crianças e adolescentes para que se tornem multiplicadores de informações e contribuam para a construção de relações mais saudáveis dentro e fora da escola.
O ambiente escolar ocupa papel estratégico na iniciativa. Dados do diagnóstico elaborado pela Cevid apontam que Colmeia possui 915 estudantes na rede municipal de ensino, público considerado fundamental para ações permanentes de prevenção.
Rede que protege
Além das atividades voltadas à comunidade, a programação incluiu a apresentação do Programa de Proteção, Acolhimento Humanizado e Solidário (PAHS), iniciativa do Poder Judiciário destinada ao acolhimento de mulheres que integram a instituição. Com o apoio dos(as) servidores(as) e magistrado, a comarca formou sua rede de acolhimento.
Na oportunidade, a juíza Cirlene informou que o Tribunal está desenvolvendo uma campanha com a gravação de vídeos de magistrados, servidores e demais profissionais do Judiciário, que serão divulgados mensalmente nas redes sociais da instituição, sempre no dia 25, data marcada pela campanha do Dia Laranja.
A magistrada explicou que a iniciativa busca ampliar o engajamento masculino na causa e fortalecer a conscientização sobre a violência contra a mulher e falou sobre os grupos reflexivos.