Banco Vermelho transforma orla de Filadélfia em alerta permanente sobre casos de violência contra a mulher

Imagem mostra pessoas em frente ao banco vermelho instalado em Filadelfia como monumento de combate ao feminicídio

Mais de 170 mulheres sofreram violência na região de Filadélfia, no norte do Tocantins, entre 2025 e 2026. Diante desse cenário, a instalação do Banco Vermelho na orla da cidade, nesta terça-feira (5/5), durante o JUS em Ação, reforçou o enfrentamento à violência e se firmou como um alerta permanente à sociedade e um chamado à mobilização coletiva.

A iniciativa do Poder Judiciário amplia a presença do Judiciário na região e propõe um chamado direto à reflexão e à quebra do silêncio que ainda envolve muitos casos de violência contra a mulher.

Em 2025, a comarca registrou 112 casos de violência, mas segundo dados da Coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid),  apenas 26 mulheres solicitaram medidas protetivas de urgência, uma cobertura de 23%. 

A baixa procura está associada a fatores como medo, dependência econômica e ausência de conhecimento.  Embora o instrumento exista, o não registro compromete a efetividade da resposta do estado.

Outro ponto é a subnotificação de casos mais graves. Apesar do registro de um feminicídio consumado em 2025, não há estatística desde 2021, o que pode indicar a invisibilidade de situações de alto risco, conforme a Cevid.

Compromisso institucional

Para fortalecer as ações de prevenção e enfrentamento à violência, durante a programação do JUS, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) e a Prefeitura de Filadélfia formalizaram a parceria para implantação do projeto, com a assinatura do Termo de Cooperação do Banco Vermelho.

Desembargadora Maysa Vendramini Rosal destacou a proximidade da Justiça com a sociedade como essência do TJTO

A presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, destacou que a entrega do Banco Vermelho é símbolo do enfrentamento ao feminicídio. “Promover ações que fortalecem direitos e levam a Justiça para mais perto das pessoas é a essência do nosso trabalho”.

A coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), juíza Cirlene Maria Assis, ressaltou que o projeto fortalece a aproximação entre o Judiciário, a rede de proteção e a sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher. “Hoje entregamos o banco, mas o nosso trabalho continua. Seguiremos ao lado da rede de proteção, apoiando ações, fortalecendo políticas públicas e ampliando a conscientização das mulheres sobre os seus direitos”, frisou.

O prefeito de Filadélfia, David Bento, agradeceu ao Poder Judiciário pelo empenho em trazer, para a cidade, o projeto, que segundo ele, acende uma luz sobre demandas importantes da realidade local e provoca reflexão em toda a sociedade. “Filadélfia se sente honrada por ter sido escolhida. Reforço que estamos de portas abertas ao diálogo, ao trabalho conjunto e à construção de soluções. Aqui, por sermos uma cidade pequena, onde todos se conhecem, muitas coisas se resolvem na conversa, com proximidade e respeito.”

Rede de enfrentamento e novos riscos

Em reunião com representantes de Filadélfia e Babaçulândia, a juíza Cirlene Assis abordou o funcionamento do Banco Vermelho e reforçou a articulação entre o Judiciário e o poder público local.

Para a juíza Cirlene Maria o enfrentamento exige vigilância, diálogo e  integração

A magistrada também chamou atenção para a evolução de crimes como a pedofilia no ambiente digital, que, segundo ela, ocorre de forma silenciosa, estratégica e menos perceptível. Alertou ainda para sinais comportamentais em crianças, como isolamento, medo e excesso de sigilo com dispositivos eletrônicos, que podem indicar situações de risco.

Diante desse cenário, destacou que o enfrentamento exige vigilância ativa, diálogo familiar, integração entre escola e sociedade e denúncia imediata.

Consciência desde a base

A prevenção também passa pela educação. Durante o JUS em Ação, estudantes do Grupo Escolar Dona Maura Leal Valadares participaram das oficinas do projeto “Banquinho Vermelho”, com atividades voltadas à promoção do respeito, da igualdade e da cultura de paz.

Proteção e acolhimento

No diálogo com magistrados e servidores, no período da manhã, no fórum da comarca, a juíza apresentou o Programa de Proteção, Acolhimento Humanizado e Solidário às Mulheres do Poder Judiciário do Tocantins (PAHS) e convidou a equipe local a integrar a rede de proteção.

“Queremos trabalhar em parceria com vocês. O que queremos é dar visibilidade às nossas pautas, prevenção e mulheres mais protegidas”, reforçou.


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