Tribunal de Justiça promove viagem na história do ideário libertário do Tocantins durante reinauguração de seu auditório

Uma verdadeira viagem histórica, com destaques para o sentimento de união e o ideário libertário do então norte goiano, marcou a reinauguração do auditório do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO) na tarde desta terça-feira (14/12).

A luta pela autonomia tocantinense foi apresentada a servidores do Judiciário, colaboradores e magistrados que tiveram a oportunidade de rememorar detalhes na interpretação do ator Osmar Casagrande.

Com sensibilidade, emoção e uma performance que manteve os presentes praticamente sem reação, apenas contemplando e criando as cenas em seu imaginário, o ator citou fatos históricos ao incorporar o juiz Feliciano Braga Machado, importante nome da história tocantinense que atuou na liderança pela emancipação do Estado, que dá o nome ao auditório. O “reaparecimento” de Feliciano Braga Machado foi repentino. A cerimônia transcorria normalmente quando, em dado momento, a sua entrada surpreendeu a plateia. A partir daí, o “homenageado” reverenciou outros importantes nomes da história tocantinense e fatos que até hoje são marcos da vida de um território que completou 34 anos em 2021. “Foi tarefa árdua que exigiu hercúleos esforços de homens de elevada envergadura moral e desassombrado ideal”, começou sua “apresentação”.

Feliciano e o Tocantins

Historiadores atestam que Feliciano Machado Braga foi designado juiz de Porto Nacional em 1956, quando tomou conhecimento do empenho de Teothônio Segurado no século XIX pela criação do Tocantins. Uma luta que foi retomada pelo brigadeiro Lysias Rodrigues nos anos 40. Ele criou uma bandeira e um hino em homenagem ao Tocantins.

Na cidade, ele constatou o “descaso oficial” pela região. Por vezes, ele citou em sua apresentação Oswaldo Ayres, Trajano Coelho Neto, Dyoclesiano Ayres Silva e Fabrício César Freire. “Quando vos falo em luta, não é luta armada com as armas da violência, mas com as armas da razão e do direito. Quando vos falo em separativismo, não estou a me referir à quebra da ordem instituída e, sim, à quebra da desordem instituída, reconhecendo os direitos de uma gente explorada em todos os sentidos e deixada ao léu quanto às funções básicas a serem exercidas pelo Estado. A exploração se dava de maneira extrema, sem a devida contrapartida do Estado à gente que tanta riqueza produzia neste rincão.”

Manifesto de 1956

O Manifesto Tocantinense, de maio de 1956, que elencou as razões do movimento de emancipação também foi citado. Outro ponto alto deste momento da cerimônia foi a lembrança da criação da bandeira do Tocantins com treze listras e uma faixa transversal com a palavra “velo”. “A importância de tal palavra na bandeira se deve ao fato de que o tocantinense não dorme, não descansa na consecução e manutenção de sua liberdade.”

A Comissão para o Estudo da Estruturação Constitucional do Estado do Tocantins, que teve Feliciano Machado Braga como presidente, foi o tema a seguir. Bem como a criação do jornal “O Estado do Tocantins”, criado por ele para ser uma “trincheira e ponto de disseminação do ideário”. A grande imprensa brasileira repercutia artigos publicados neste veículo de comunicação.

Pressão e fuzilamento

A reação opositora também foi interpretada de forma efusiva pelo ator. Era, segundo ele, a tentativa de sufocar a iniciativa. Diante de muitas pressões e do fuzilamento de Trajano Coelho Neto, deixou o norte goiano e foi atuar na 3ª Vara Cível da Comarca de Anápolis. Na cidade, tentou continuar a luta ao fundar o jornal Correio Tocantinense, mas as perseguições continuaram. “Nunca deixei de levar o ideário adiante, manifestando em todas as ocasiões possíveis o ideário libertário do Tocantins”, citou.

Ao finalizar sua participação na reinauguração, ele citou que o desenvolvimento do Tocantins hoje comprova o acerto do ideário. “Ao volver os olhos para aqueles trechos de nossa história, me sinto pleno de alegria e regozijo pela vitória do nosso ideal. Agradeço imensamente àqueles que continuam a luta até a vitória. Senhoras e senhores, nosso sonho cristalizou em realidade: viva o Estado do Tocantins.”

Reencontro e recomeço

Interpretando o homenageado com o espaço, que dá o nome ao auditório, o momento também teve significado de reencontro entre servidores e magistrados de forma presencial em uma solenidade, após quase dois anos de restrições impostas pela pandemia. E na visão de lideranças religiosas que se pronunciaram é um marco no recomeço, com gratidão e esperança de um próximo ano de trabalho, otimismo e realizações. Os momentos ecumênicos foram conduzidos pelo pastor e diretor financeiro do TJTO, Gizelson Monteiro de Moura, e o padre Eduardo Zanom.

Agradecimentos e pedido

Ao finalizar o evento, logo após a apresentação da Banda da Polícia Militar do Tocantins, em seu pronunciamento, o presidente do TJTO, desembargador João Rigo Guimarães, pode expressar a satisfação da participação do ator Osmar Casagrande na interpretação de Feliciano Machado Braga. Ele agradeceu aos diretores, servidores e profissionais que trabalharam na reforma. Também fez questão de agradecer aos demais magistrados que ajudam a construir a gestão. Ao final, já felicitando a todos pelo Natal e ano-novo, ele fez um pedido para que todos exerçam em 2022 sentimentos de solidariedade. “Todos são imagem e semelhança de Deus. Vamos exercer a fé e caridade, ajudar, ter espírito solidário. Que possamos ajudar os irmãos carentes.”

Prestigiada

A cerimônia foi prestigiada por servidores, colaboradores e magistrados do Judiciário tocantinense. Entre outros presentes, participaram do descerramento da placa de inauguração com o presidente do TJTO os desembargadores Eurípedes Lamounier, Ângela Prudente e Etelvina Maria Sampaio Felipe; o juiz convocado Jocy Gomes de Almeida, que integra o Pleno do TJTO; a juíza Odete Batista Dias Almeida, presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Tocantins (Asmeto); Manuel de Faria Reis Neto e Océlio Nobre, juízes auxiliares da presidência do TJTO. Representantes de entidades que representam os servidores do Judiciário também participaram.

O auditório

Com capacidade para 320 lugares, o auditório reformado possui novo carpete, iluminação direta e indireta, revestimentos acústicos da parede e do teto e de todas as esquadrias, sistema de Som/CFTV, sala vip e banheiros acessíveis, elevador para pessoas portadoras de deficiência, novas instalações elétricas com execução de rede estabilizada e a rede de drenagem do piso do auditório. O investimento no local foi de R$ 1.481.371,39.

Texto: Cristiano Machado
Fotos: Rondinelli Ribeiro/TJTO

 


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