Ato da Comarca de Gurupi lembra vítimas de feminicídio e reforça mobilização pelo fim da violência contra a mulher

Gabriel Amorim/Prefeitura de Gurupi Participantes do movimento “Vozes que não se calam” erguem balões brancos durante ato de memória e conscientização realizado no Parque Mutuca, em Gurupi. A mobilização reuniu representantes do Judiciário, forças de segurança, instituições da rede de proteção e membros da comunidade em homenagem às vítimas de feminicídio e em defesa do fim da violência contra a mulher.
Mobilização reuniu representantes do Judiciário, forças de segurança, instituições da rede de proteção e membros da comunidade em homenagem às vítimas de feminicídio e em defesa do fim da violência contra a mulher

Dezessete cruzes fincadas na grama do Parque Mutuca, em Gurupi, lembraram as mulheres vítimas de feminicídio registradas na cidade nos últimos três anos. Ao lado delas, velas acesas e balões brancos marcaram o movimento “Vozes que não se calam”, realizado no fim da tarde desta quarta-feira (11/3), reunindo representantes do Judiciário, instituições parceiras e comunidade em um ato público de memória, reflexão e mobilização pelo fim da violência contra a mulher.

Promovida pelo Poder Judiciário do Tocantins, por meio da Vara de Violência Doméstica de Gurupi, a iniciativa integrou a programação da Semana Justiça pela Paz em Casa, realizada neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8/3).

Cerca de 100 pessoas participaram do momento simbólico, entre servidores do Judiciário, autoridades, representantes da rede de proteção e membros da comunidade. As 17 cruzes instaladas no local representam cada uma das vítimas de feminicídio registradas na comarca nos últimos três anos. Durante a cerimônia, os participantes também acenderam velas, fizeram um minuto de silêncio e soltaram balões brancos, gesto que simbolizou esperança por dias com mais respeito, segurança e igualdade para as mulheres.

 

Memória e reflexão

Segundo o juiz Jossanner Nery Nogueira Luna, titular da Vara de Violência Doméstica de Gurupi, o movimento busca sensibilizar a sociedade sobre a gravidade da violência de gênero e fortalecer a cultura de prevenção.

“Reunidos aqui, no Parque Mutuca, que é um espaço de encontro da comunidade de Gurupi, buscamos refletir sobre os feminicídios ocorridos na cidade nos últimos três anos. Essas 17 cruzes representam vidas que não podem ser esquecidas”, destacou o magistrado.

Ele ressaltou que o ato também representa um chamado coletivo para mudanças sociais.

O juiz Jossanner Nery Nogueira Luna fala ao público durante o movimento “Vozes que não se calam”, realizado no Parque Mutuca, em Gurupi. Ao lado dele, participantes acompanham o pronunciamento em ato de conscientização pelo fim da violência contra a mulher e em memória das vítimas de feminicídio.
Juiz Jossanner Nery fala ao público durante o movimento “Vozes que não se calam”

“Esse é um movimento de conscientização, reflexão e oração. Fizemos um minuto de silêncio para lembrar essas mulheres e reforçar que precisamos transformar a sociedade. Mesmo com penas mais severas para o feminicídio, esse crime ainda cresce, e só conseguiremos enfrentá-lo com informação, união e mobilização social”, afirmou.

 

Rede de proteção

A mobilização reuniu instituições que integram a rede de proteção às mulheres em Gurupi, entre elas a Secretaria Municipal da Mulher, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar, Patrulha Maria da Penha, Delegacia da Mulher, Corpo de Bombeiros Militar e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de integrantes do Poder Judiciário e representantes da sociedade civil.

Uma mulher agachada acende uma vela ao lado de uma cruz roxa fincada na grama durante o ato de memória pelas vítimas de feminicídio realizado no Parque Mutuca, em Gurupi. Ao fundo, outra participante também se ajoelha diante de uma das cruzes, em um momento de silêncio e reflexão que marcou a homenagem às mulheres vítimas de violência.

As cruzes permanecerão instaladas no Parque Mutuca, próximas ao Banco Vermelho, como um memorial de reflexão sobre a violência de gênero e um alerta permanente para que tragédias como essas não se repitam.


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