Reconheça os primeiros sinais da violência física antes que as agressões evoluam

Arte gráfica da campanha Agosto Lilás, desenvolvida em tons de roxo e lilás, cores que simbolizam o enfrentamento à violência contra a mulher. Na parte superior, sobre um fundo branco com textura pontilhada, aparece o nome da campanha "Agosto Lilás", acompanhado de um laço lilás. Na metade inferior, uma faixa ondulada em diferentes tonalidades de roxo destaca, em letras brancas, o tema "Violência Física"

A violência física raramente começa com agressões graves. Em muitos casos, ela surge de forma silenciosa, por meio de empurrões, apertões, tapas, arremesso de objetos ou outras agressões que acabam minimizadas pela vítima ou por quem convive com ela. Com o tempo, as agressões tendem a se intensificar e podem chegar ao feminicídio.

Dando continuidade à série especial do Agosto Lilás sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) aborda a violência física, uma das modalidades previstas na Lei Maria da Penha e que atinge diretamente a integridade e a saúde corporal da mulher.

Ouvidora da Mulher do TJTO, a desembargadora Ângela Prudente alerta que os casos de violência física continuam em crescimento e exigem uma resposta imediata da vítima, da família e da sociedade. "Hoje a violência física é crescente, infelizmente. Ela causa qualquer dano físico à mulher e, geralmente, começa de forma mais leve. Na segunda vez, a agressão costuma ser mais grave e, em muitos casos, chega ao feminicídio", afirma.

Segundo a magistrada, nenhuma forma de violência pode ser tratada como um episódio isolado.

"Não podemos aceitar qualquer tipo de violência, seja física, psicológica, sexual ou emocional. Quando sabemos que uma familiar, uma amiga ou uma vizinha está sendo agredida, precisamos agir. Não adianta pensar que aconteceu apenas uma vez. A violência tende a se repetir", destaca.

 

Violência em etapas

Embora a agressão física seja uma das formas mais visíveis da violência doméstica, ela normalmente integra um ciclo que começa muito antes das lesões. Conforme explica a desembargadora, os primeiros sinais costumam aparecer por meio de ameaças, controle excessivo e isolamento da mulher.

Para a magistrada, reconhecer esses primeiros comportamentos representa uma oportunidade de interromper a escalada da violência antes que ela produza consequências irreversíveis.

 

Números

Os dados do Painel Violência contra a Mulher, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), confirmam a dimensão do problema no Tocantins. Até 30 de junho de 2026, o Poder Judiciário estadual recebeu 6.400 novos processos relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher. No mesmo período, 3.022 processos tiveram julgamento e 4.968 receberam baixa processual.

Apesar desse avanço, 14.480 ações ainda permaneciam em tramitação no Estado. O cenário demonstra que milhares de mulheres continuam recorrendo ao Judiciário para romper ciclos de violência e reforça a importância de buscar ajuda ainda nas primeiras agressões, antes que a violência física evolua para lesões mais graves ou para o feminicídio.

 

O que caracteriza a violência física

A Lei Maria da Penha define violência física como qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.

Entre os exemplos estão: espancamento; empurrões, sacudidas e apertões; tapas, socos e chutes; estrangulamento ou sufocamento; lesões provocadas por objetos cortantes ou perfurantes; queimaduras; disparos de arma de fogo; tortura.

Além da violência física, a legislação também reconhece outras quatro formas de violência doméstica e familiar: psicológica, sexual, patrimonial e moral.

 

Denuncie

Em caso de emergência, ligue 190.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 funciona gratuitamente em todo o país.

Ouvidoria da Mulher do TJTO: 0800 6444 334 ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid):  (63) 3142-1134 ou (63) 99298-1370

 


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