Neste mês de janeiro de 2020, o Judiciário do Tocantins reforça o compromisso por um mundo sem violência. Em uma série de matérias especiais, destacará pequenas atitudes diárias que podem ser praticadas e contribuem para a paz social. Um bem possível por meio da educação, solidariedade e o respeito aos direitos humanos.

No mundo existem várias formas de violência, que podem ser dividas em físicas e simbólicas. Os seres humanos utilizam de forma intencional e excessiva a agressividade e acabam cometendo diversos tipos de atos violentos, como as agressões físicas, verbais e psicológicas.

Predominantes em diferentes sociedades, a violência é motivada por relações desiguais envolvendo gênero, etnia, raças, economia e estão presentes nos diferentes grupos das sociedades. E dentro de uma unidade doméstica, pessoas podem sofrer abusos físicos, sexuais, psicológicos, ou ainda negligência e abandono.

A psicóloga clínica Evelly Silva afirma que precisamos conversar de maneira mais intensiva sobre o que são as violências psicológicas, ditas como simbólicas. Segundo ela, é na jornada para tentar conhecer o outro, a partir do seu ponto de vista, que conseguimos lidar com as diferenças.

"Temos que nos perguntar o porquê que o comportamento do outro nos incomoda tanto, o que acontece que não conseguimos lidar com as diversas diferenças. Às vezes, esses processos são internos, são atos que cometemos contra nós mesmos e que também acabamos externalizando em nossas relações. Por isso, precisamos repensar qual o nosso papel nesses processos", ressalta.

Nesse sentido, o Judiciário tocantinense prioriza a promoção da paz social e investe em práticas da Justiça Restaurativa, que consiste na promoção de diálogos entre as partes envolvidas em um processo. "As práticas restaurativa ajudam a solucionar a raiz do problema, pois os opressores e as vítimas voltam a conversar. E de uma maneira em que os opressores reconheçam os danos que estão causando às vítimas", ressalta o juiz titular da 1ª Vara Cível de Guaraí, Manuel de Faria Reis Neto, e coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

"Ao longo do tempo percebemos que a ausência dessa conversação entre pessoas que se conhecem, ou seja, entre amigos, cônjuges, familiares e vizinhos, acabam por culminar em violência. Por isso, o conselho que qualquer membro do Poder Judiciário pode dar é que haja diálogo", ressalta o magistrado.

Texto: Natália Rezende/ Foto: Hordiley Cangaçu / Arte: Henryque Cerqueira.

Comunicação TJTO