O Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) realizou nesta segunda-feira (24∕06), na comarca de Miranorte, a segunda edição da Oficina de Parentalidade com famílias que passam pelo processo do divórcio ou demandas relacionadas a guarda dos filhos. Os conciliadores também atuam no Mutirão de Conciliação realizado durante a programação do projeto Justiça Cidadã na comarca.

Ao todo, 104 audiências de conciliação foram agendadas até sexta-feira (28∕06). Somente no primeiro dia de mutirão foram 17, sendo que em muitos casos as partes fecharam o acordo na fase pré-processual e evitaram a tramitação de um processo na Justiça.  

Um bom exemplo é o da Silvaneide Ferreira dos Santos. Ela tinha uma dívida a pagar desde 2014 e, com a ajuda da Justiça, conseguiu finalmente entrar em acordo com a outra parte para quitar o valor devido. “Foi um alívio. Como eu não tinha uma convivência boa com a dona da dívida, fui arrastando o pagamento. Hoje fizeram para mim uma proposta muito boa, dentro do meu orçamento, para eu poder estar pagando”, avaliou. “Iniciativa muito boa”, complementou ela sobre o mutirão.

Adriano Fragoso Machado também aproveitou a mobilização do Judiciário para buscar a regularização do direito de visita da filha e, em comum acordo com a ex-companheira, obteve durante a audiência com a guarda da menor. “Achei bom, foi rápido e tudo ficou resolvido. Tudo o que eu queria era minha filha comigo, então saiu melhor do que eu esperava”, afirmou.

“Ele nos procurou na segunda-feira passada. Nesta fase pré-processual, emitimos a carta convite para ele entregar para a outra parte e os dois compareceram aqui hoje. Com o acordo, em menos de uma semana a gente conseguiu evitar que um pré-processo virasse um processo”, explicou sobre o caso o conciliador Marlon Junior Silva Ferreira.

Oficina da Parentalidade

Cerca de 35 pessoas participaram da Oficina de Pais e Filhos realizada pelo Cejusc em Miranorte. Ao todo, 25 adultos e 10 crianças e adolescentes foram atendidos durante a segunda edição do projeto na comarca. Conforme explica a expositora Lorena Gutierrez, as oficinas têm objetivo de promover uma cultura de paz entre os membros da família separados ou em processo de divórcio. “É uma carta convite. Se o pai ou a mãe vem para o pré-processual e informa que tem menores, a gente já inclui na oficina. Assim como na fase processual, quando os pais estão em conflito, a gente também sugere que participem da oficina. Aqui, a gente divide o grupo em quatro salas, sendo que ficam separados os ex-casais, os adolescentes e as crianças”, diz.

Maria José Soares do Vale foi uma das participantes da oficina nesta segunda-feira.  Com uma ação na Justiça para recuperar a guarda da filha, que hoje tem 15 anos, ela compareceu ao Fórum de Miranorte com a adolescente e avaliou como positiva a iniciativa do Judiciário. “Em um momento de bobeira, por não ter conhecimento, eu passei a guarda dela e me arrependi várias vezes. Ela voltou a morar comigo há pouco mais de um mês e agora eu espero ganhar a guarda novamente no dia primeiro”, conta. “Por conta desse processo, me chamaram para participar da oficina e eu gostei bastante”, complementou.

Texto: Paula Bittencourt  / Fotos: Rondinelli Ribeiro e Ednan Cavalcanti

Comunicação TJTO