O Poder Judiciário realizou, na tarde desta sexta-feira (23/6), oficinas de Parentalidade nas comarcas de Palmas, Araguaína, Miracema e Tocantínia. No Fórum da Capital e nas comarcas de Miracema e Tocantínia, esta foi a primeira ação com  o objetivo auxiliar famílias a enfrentarem as consequências de um processo de separação e reduzir os traumas decorrentes da ruptura do vínculo conjugal.

De acordo com o projeto as famílias são divididas, durante as oficinas, em quatro grupos. Dois deles são destinados aos pais em situação de conflito, um grupo é voltado às crianças e outro aos adolescentes. No local, estão presentes instrutores treinados para oficina pelo Poder Judiciário e pelo Conselho Nacional de Justiça. São disponibilizados materiais didáticos e cartilhas com enfoque na pacificação dentro dos ambientes familiares.

Para a coordenadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), juíza Umbelina Lopes Pereira, "as oficinas auxiliam na reconstrução do diálogo entre as famílias e minimizam os traumas da separação entre o casal, possibilitando que o crescimento das crianças e adolescentes aconteça de forma emocionalmente saudável".

O Juiz Nelson Coelho, coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Palmas, também ressaltou a importância da oficina para promover a reconstrução familiar e amenizar os traumas ocasionados pela separação. “O auxílio é muito grande, com o tempo o cônjuge que passou pela ruptura sente dificuldades nas relações familiares; com a oficina de Parentalidade é possível orientar os filhos e os genitores que estão passando pelo conflito e com o tratamento diferenciado que eles recebem aqui, as demandas são solucionadas com mais celeridade e de forma mais pacífica”, disse.

“Já na aplicação da primeira oficina de Pais e Filhos, foi possível perceber o impacto positivo do projeto criado pelo CNJ. A expectativa é de que os melhores resultados sejam colhidos com a melhoria dos relacionamentos destas famílias ao longo do tempo e com a efetiva resolução dos conflitos trazidos ao judiciário”, complementou o juiz coordenador do Cejusc de Miracema, Marco Antonio Silva Castro.

Experiências

João Vitor Maia tem 11 anos e ficou na ala das crianças enquanto a mãe participava da oficina na sala ao lado. Na companhia de outros filhos e filhas que enfrentam a separação dos pais, ele expressou seus sentimentos em atividades lúdicas orientadas por monitoras do Cejusc. Em um das tarefas repassadas às crianças,João desenhou o pai, a mãe e um grande coração com o nome dele e da irmã dentro. Para ele, o desenho simboliza o amor que deve ser preservado na relação familiar. “Quero uma vida melhor para minha família, aqui na oficina mostraram para a gente que devemos respeitar o próximo, ajudar os colegas e praticar o amor”, sintetizou.

Para a mãe do João Vitor, Glaucia Maia, a oficina foi uma oportunidade de aprendizagem muito grande. “Ao participar dessa oficina, pretendo amenizar os traumas sofridos pelo meu filho e proporcionar uma vida melhor para ele", garantiu. 

O funcionário público, Glauber D’lamare, também participou da oficina e frisou a boa experiência do projeto para quem está vivenciando um conflito familiar. “Fomos recebidos em um ambiente de acolhimento e, além das instruções que recebemos, também foi reforçada a importância da preservação dos filhos no momento da separação”, afirmou.

Em Palmas, 15 famílias foram inscritas para participar da primeira oficina na Capital. Nas comarcas de Tocantínia e Miracema, 16 pais concluiram a I Oficina de Pais e Filhos. Já em Araguaína, 25 famílias fizeram parte desta edição do projeto, já realizado na região Norte desde o ano passado. 

 

Ninah Beatriz Oliveira